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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Considerações acerca do museu da escravidão da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro

A Cultura Black Face e a Estética White-afro juntou-se ao violento processo de linchamento racial promovido pelo Município genocida carioca, uma vez municiados pelos adversários de Solano Trindade[1] em meio a essa guerra santa, onde neo-pentecostais decidiram superar, em nome de Deus, a podridão da senta inquisição.
Dessa maneira, hora usa a Arte, a história ou a história da arte, nessa geografia de escola sem partido, liderada pela arrogância indolente do serviçal da elite neoliberal responsável por dessa conjuntura gótico-contemporânea; eis que surge, em meio a esse atoleiro de direitos, certo museu da escravidão, cuja aparição não configurou nenhuma ameaça aos atabalhoados membros do MBL (Movimento Brazil Livre), seguramente fãs do pintor Espanhol[2] Modesto.
Dessa forma, o incrível surgimento desse museu, vindo de uma generosidade repentina, espontânea e automática do bispo prefeito, em pleno período pré-eleitoral, trazendo a sagrada missão de manter o manto de invisibilidade da história que antecede ao cativeiro dos Povos Africanos escravizados no Brazil e de seus descendentes; garantindo a continuidade do processo de gravação, introjeção, guardando nos corações e nas mentes desse público afrodescendente, o lugar reservado para eles pelos traficantes brancos bem lá no fundo do navio negreiro; navio de outrora que hoje se transformou no camburão mandado pelo governo da situação; governo que solenemente ignora qualquer protesto ou oposição; e dessa maneira, deve continuar obrigando o negro a perceber o mundo através do olhar eurodescendente, de seu opressor.
O museu do bispo prefeito é o Museu do Ontem[3] que vem perpetuar a vergonha do lugar da escravização; o lugar onde o europeu violentamente colocou a pessoa de cor, humilhando-a, dissecando-a, empalando-a e empalhando-a, após silenciar sua voz e sua vez como ser humano. 
Assim como a escola sem partido deseja assegurar esse futuro de ontem aos deserdados e feridos pela justiça branca ao instaurar uma pedagogia que adormeça nossa memória já perdida no tempo e anestesiada pela mídia ensandecida ao som do Rock in Rio, nesse Brazil-senzala com uma Casagrande cercada por campos de concentrações[4] por todos os lados.
REPARAÇÃO JÁ...!!!



[1] Referência ao poema “NEGROS,” de Solano Trindade.
[2] Referência à pintura “A redenção de Cam”.
[3] Referência ao museu do amanhã.
[4] Referência as Favelas, palafitas e alagados.

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