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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Sobre Rainhas e Reis


A justiça é uma linda e exuberante mulher negra, vestida com roupas confeccionadas pelas bisavós de todas as vidas, que caminha por ruas e becos, casebres e festas populares, mansões e congressos de todas as Nações dos mundos conhecidos e desconhecidos.

Leva tão poucas coisas em sua algibeira, mas tão poucas coisas que são possíveis preencher totalmente qualquer ambiente em todas as suas possíveis dimensões; são coisas tão leves com peso de todos os mundos solidamente etéreos e repletos de mistérios, que até a morte, com respeitosa reverência, lhe dá passagem para acessar dos mundos mais escondidos e aos mundos inexistentes.

Essa simples Rainha negra reina sem ter tronos, governa sem nunca ter sido eleita e caminha mesmo estando estática, em cada único movimento onisciente. Ela se encontra Onipresente lado a lado com seu fiel companheiro previdente, o Rei Cronos; e juntos avançam caminhando sem andar nem Andor; vendo sem olhar, e mesmo assim, a tudo enxergar; além de ouvir, sem nem mesmo escutar.

Por isso, a Justiça, há seu Tempo, com seu corpo etéreo de células-olhos, de mãos dadas com Cronos, vai continuamente entrelaçando as tramas da natureza que aflora e se transforma a cada estação que vem e vaivolta e retorna pelos caminhos das estrelas e de sóis nascentes e poentes nesse infinito ciclo de vidas vividas, vidas vivenciadas e vidas ainda porvir.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Considerações acerca do museu da escravidão da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro

A Cultura Black Face e a Estética White-afro juntou-se ao violento processo de linchamento racial promovido pelo Município genocida carioca, uma vez municiados pelos adversários de Solano Trindade[1] em meio a essa guerra santa, onde neo-pentecostais decidiram superar, em nome de Deus, a podridão da senta inquisição.
Dessa maneira, hora usa a Arte, a história ou a história da arte, nessa geografia de escola sem partido, liderada pela arrogância indolente do serviçal da elite neoliberal responsável por dessa conjuntura gótico-contemporânea; eis que surge, em meio a esse atoleiro de direitos, certo museu da escravidão, cuja aparição não configurou nenhuma ameaça aos atabalhoados membros do MBL (Movimento Brazil Livre), seguramente fãs do pintor Espanhol[2] Modesto.
Dessa forma, o incrível surgimento desse museu, vindo de uma generosidade repentina, espontânea e automática do bispo prefeito, em pleno período pré-eleitoral, trazendo a sagrada missão de manter o manto de invisibilidade da história que antecede ao cativeiro dos Povos Africanos escravizados no Brazil e de seus descendentes; garantindo a continuidade do processo de gravação, introjeção, guardando nos corações e nas mentes desse público afrodescendente, o lugar reservado para eles pelos traficantes brancos bem lá no fundo do navio negreiro; navio de outrora que hoje se transformou no camburão mandado pelo governo da situação; governo que solenemente ignora qualquer protesto ou oposição; e dessa maneira, deve continuar obrigando o negro a perceber o mundo através do olhar eurodescendente, de seu opressor.
O museu do bispo prefeito é o Museu do Ontem[3] que vem perpetuar a vergonha do lugar da escravização; o lugar onde o europeu violentamente colocou a pessoa de cor, humilhando-a, dissecando-a, empalando-a e empalhando-a, após silenciar sua voz e sua vez como ser humano. 
Assim como a escola sem partido deseja assegurar esse futuro de ontem aos deserdados e feridos pela justiça branca ao instaurar uma pedagogia que adormeça nossa memória já perdida no tempo e anestesiada pela mídia ensandecida ao som do Rock in Rio, nesse Brazil-senzala com uma Casagrande cercada por campos de concentrações[4] por todos os lados.
REPARAÇÃO JÁ...!!!



[1] Referência ao poema “NEGROS,” de Solano Trindade.
[2] Referência à pintura “A redenção de Cam”.
[3] Referência ao museu do amanhã.
[4] Referência as Favelas, palafitas e alagados.

domingo, 3 de setembro de 2017

PEQUENA ÁFRICA: Território Histórico do Povo preto nascido no Brasil

Dia 1º de Setembro de 2017 vivemos um momento histórico na Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro durante a tramitação do processo da Campanha de Reparação para os Descendentes dos Povos Africanos Escravizados no Brasil; foi o momento em que exigimos a nossa efetiva, necessária e verdadeira liberdade; aquela mesma liberdade que fora prometida aos nossos antepassados num dia 13 de maio qualquer, mas o que ironicamente se viu foi a absolvição dos seus algozes e carrascos, empreendedores e arquitetos dos crimes da escravidão. 

Dia 1º de Setembro foi um dia histórico porque demos prosseguimento a esse dia 13 de um maio qualquer que ainda não chegou aos seu fim, nos fazendo chegar até esta plenária, para finalmente dar o efetivo início ao processo de Reparação, a fim de resgatar dessa forma, a nossa memória roubada pela escravidão e pela colonização denunciando os responsáveis por esses hediondos e infames crimes.

Portanto, é chegada a hora do Estado, da igreja e das famílias tradicionais brazilleiras, que sempre controlaram os destinos de nossa nação; da nação dos brasileiros; responderem pelo holocausto do povo negro; holocausto que o Brazil sempre negou e escondeu desde Rui Barbosa até o presente momento.

Esse momento é histórico, não pela subliminar comoção social produzida e comandada pela desonesta mídia, que estupra nossa humanidade e consciência, uma vez que estrutura nossa atual conjuntura de esquizofrenia total, produzindo esse contexto que teve seu início no golpe militar republicano derrubando o império e que se estende até ao mais recente golpe delles; histórico porque estamos tratando do cessar de golpes recebidos pelo Povo Preto desde o pelourinho até os golpes desferidos pela caneta do dotôr que faz jorrar tanto sangue da alma preta como outrora nos fazia sangrar o chicote do feitor. Da plenária dessa assembleia, o estrondoso eco da classe plebeia veio para dar desfecho a essa saga de injustiças e opressões, de abusos e ingratidão contra os construtores dessa nação.

Dia 1º de Setembro foi o dia em que finalmente exigimos de volta a nossa história, elaborando o resgate de nossa memória embotada pelo ambiente insalubre dos campos de concentrações em que vivemos em eterno exílio: as favelas, palafitas e alagados em que fomos depositados por conta das sucessivas limpezas étnicas promovida diuturnamente pelo estado genocida brazilleiro, que perpetua o apartheid e protege os bens da oligarquia adquiridos através dos crimes da infame política de escravização.

Reparação já...!!