Era uma vez “UM BRANCO de alma NEGRA[2]” e um preto
EMBRANQUECIDO[3] manufaturados pelos
desejos eurocêntricos, ambos a bordo de um navio chamado Amazing
Grace,[4] vindo direto do Porto social da Teoria
da evolução[5] com destino a Terra do Nunca[6]. Em outras palavras, vamos descrever um breve passeio turístico ao
planeta Terra, em companhia de Elvis Presley[7] e Michael Jackson[8].
Foi neste fúnebre passeio, num belo dia de sol e azul do mar profundo,
que percebemos com estupor, que a única e exclusiva habilidade verificada na
práxis da supremacia branca é definitivamente a inegável capacidade de sempre
apresentar o velho como uma moderna e novíssima novidade. Explico: este
processo é similar ao que a elite exercita quando usam suas empresas para lavar
o dinheiro sujo por eles produzido no processo endêmico de corrupção ativa.
Dessa mesma forma, ella, a euro-elite, faz uso da academia para legitimar o
conhecimento sequestrado dos antigos e dos mais velhos; conhecidos como
ancestrais; recodificando-os e reapresentando esses saberes envoltos em
uma vistosa capa protegida com o verniz do arrogante cinismo acadêmico. Ou
seja, uma indolente capa de livro[9] grego[10] de conteúdo
embranquecido, estabelecendo dessa maneira, o famigerado capitalismo
cognitivo.
Da viagem marítima, nesse perverso contexto, voltamos então a
realidade cotidiana popular tupiniquim, e notoriamente; um vez passada a visão
de um olhar que vê enxergando; perceberemos que, em nossas escola-presídio,
construídas especificamente para educar os filhos do 13 de maio e
não os descendentes de Rousseau[2]; os professores que
lecionam tem a obrigação de se transformarem em perigosos traficantes
de conhecimento[11], com a pena, em caso contrário, de se
tornarem, fiéis servos desse perverso sistema inquisitório. Sistema este, que
fora definitivamente implantado durante a criação da República[12] tupiniquim ,fundada pelos eurodescendentes de
escravistas e mercadores desse infame comércio; república
ironicamente batizada e classificada como democracia;
inaugurando assim, a pauta dos "conceitos acadêmicos" e as definições
egocentralizadas tupiniquescas.
Dessa maneira, as mais absurdas e prosaicas contradições se
transformaram nos mais fétidos estercos para alimentar as tradições
eurocêntricas a nível mundial; encontrando no Brazill, um solo fértil e
promissor. Florescendo vorazmente, como uma cultura de bactéria definitivamente nocivas. A
partir dai, nosso país, enquanto democracia para inglês ver, passou a prezar
pela tradição de ter nas cópias, o seu original favorito. Nossa constituição[13] é
um exemplo perfeito desse lamentável episódio; uma das pouquíssimas
constituições conhecidas no mundo que não provém do Povo, e não se destina ao
povo.
Foi na viagem sem fim, nesse barco negreiro repleto de contradições
vindas do estrangeiro, que Michael Jackson, quando embarcado, se tornou branco
por inteiro; mas continuando escravizado pelo dinheiro do sistema escravocrata
que exaustivamente lhe repetia Goebbels[14] como poesia do dia-a-dia, no moto-perpétuo de um poema que vem
continuamente sendo declamando e proclamando que no Brazil as questões
problemáticas sempre foram de cunho social e nunca racial; levando dessa forma,
qualquer neguinha e neguinho a endeusar Marx e Engels, enquanto a academia epistemicida[15] lhes acorrentavam e torturavam, matando o
sujeito que em si existia, supliciando o indivíduo em vida.
A principal frustração de Elvis Presley foi a de não conseguir
embarcar nesse navio, que é negreiro, tendo John Newton como capitão desse vil
cruzeiro; visto que não pode conhecer seu interior por inteiro, e nunca soube
de onde vinha essa intensa paixão, corrente em sua veia, que misteriosamente
não acorrentou sua vez e sua voz na dança preta pela vida branca, em um mundo
onde só o tipo de vida e da pessoa branca importa, na eterna travessia
desse macabro cruzeiro[16] turístico em
direção a Capital do Umbral imperial.
A forçada mescla mestiça, amálgama dos ossos brancos triturados junto com
a carne mais barata do planeta, depois de retirados os sorrisos negros do rosto
preto, e os abraços pretos do peito negro, separando assim, corações e mentes,
razão e emoção; num violento processo hierárquico implantado pela lei daquele
cão que foi transformado em lobo; tendo paradoxalmente esse selvagem lupus
sendo domesticado pelo terror sem precedentes, presente no contemporâneo mundo
ausente de homeostasis [17].
Assim se fez esse Novo Mundo, assim se construíram heróis e
assim, o imaginário manufaturado se fez real. Então como lidar com essa Terra
do Nunca ao contrário...? Esse mundo da Preta Alice de contos
de Fadas de Terror e valores democráticos invertidos? Esse velho e caquético
Peter Pan com Alzheimer no último estágio de vida? Essa
ferrenha Utopia de walking dead e essa síndrome de Estocolmo, tudo junto e
misturado...!!??
Talvez se elaboramos um lindo comercial estrelado Michael
Jackson sendo servido com uma dose dupla de Johnny Walker por Elvis
Presley, tendo como cenário o negreiro de Johnn Newton,
tocando Amazing Grace como fundo musical; talvez possamos
refletir sobre nossas prosaicas contradições construídas pelos símbolos
representativos cotidianos. Mas isso vai depender se as miríades dos tons do
fundo desse comercial tiverem todas as diversidades dos 50 tons de
preto ou ser for meramente branco total. Então, o filme, vai
finalmente poder começar... Luz....Câmera.... Ação....!!!
[1] Título de um poema do grupo de Rap “Racionais Mc’s”
[2] Frase pronunciada por White people para se referir a uma pessoa
branca que vive da cultura negra.
[3] Referência ao preto formado pela academia e que defende a
ideologia eurocêntrica como sendo parte de sua história.
[4] O nome do autor da letra da música “amazing
grace” consta como sendo John Newton; um capitão de navio negreiro que
escreveu mais que qualquer outro capitão da época; ele era evangélico, se
tornou pastor e, segundo consta, no final da vida ele se arrependeu das
indizíveis maldades praticadas contra os negros que ele traficou por muito
tempo através do oceano.
O autor da música pode se saber pela escala usada em sua composição; a
chamada “escala escrava”. Isto é, a escala pentatônica, que era usada
pelos africanos. Nesse caso, qualquer escravizado, vítima de Newton, poderia
ter sido o autor da música em questão.
[5] 900
anos antes do nascimento de Darwin, um Africano já escrevia a Teoria da
Evolução. Abu Uthman Amr bin Bahr al-Fukaymi al-Basri, mais conhecido como
Al-Jahiz, foi um renomado escritor e teólogo da Africa Oriental que vivia
em Bagda.
Em suas anotações,
Al-Jahiz descreveu três formas de evolução: Luta pela Existência, Transformação
das Espécies em Outras Espécies e Fatores do Meio Ambiente.De acordo com o The
Guardian, Al-Jahiz certa vez escreveu: “Os animais lutam por existência, e por
recursos, para evitar serem comidos e para se reproduzirem. ”
Ele explicou: “Fatores
do meio ambiente influenciam organismos para que desenvolvam novas
características, para garantir a sobrevivência, transformando-os, portanto, em
novas espécies. Animais que sobrevivem para reproduzir podem transmitir suas
características à sua prole”.
[6] Essa
terra a que me refiro é o Novo Mundo; terra onde o livro intitulado “Vinte
e quatro dias de açoite”, conhecemos a história do alufá (chefe religioso
muçulmano negro do noroeste da África) Bilal Licutan, escravo batizado de
Pacífico, que, ao chefiar uma revolta, é condenado a receber 1.200 chibatadas,
divididas em cinquenta por dia. É um homem forte, altivo e que, após a surra de
cada dia, reza em linguagem erudita e religiosa. Ele desmaia, mas acorda,
resiste. Outros escravos juntam dinheiro mais do que suficiente para
pagar a dívida, mas o juiz não acata. Eles, então, assistem ao martírio.
[7] Elvis Presley comprava suas roupas em lojas de negro, ouvia música
de negro e qualquer empresário que viesse a sua casa tinha que passar pelo
ritual de ouvir uma coletânea de gospel para poder iniciar quaisquer
negociações ou fechar contratos com o “rei do rock”.
[8] Michel Jackson fez um contrato matrimonial com a filha de Elvis
Presley, e deste contrato, surgiram um casal de híbridos; seus filhos.
[9] Referência ao Faceboock.
[10] O livro intitulado “O legado roubado” narra a maneira como os
gregos sequestraram o conhecimento Egípcio.
[11] O projeto “escola sem partido” criminaliza o professor que ousar
contextualizar a conjuntura histórica nacional.
[12] A instauração da República no Brazil se deu através de um golpe
militar; até então a democracia brasileira tem se constituída de sucessivos
golpes, a exemplo de toda a América Latina.
[13] A constituição brazilleira de 1988 é uma cópia das constituições da
Espanha, Alemanha, Portugal, França e parte da carta da Virgínia.
[1]
Ministro da propaganda nazista Joseph e Goebbels ficou marcado pelo seu ódio a
judeus e comunistas, sua admiração pela figura de Hitler e seu fanatismo.
[15] É o processo de se apropriar do conhecimento alheio ao mesmo tempo
em que mata o conhecimento do outro; juridicamente falando, poderia ser
tipificado como um latrocínio do saber alheio.
[16] Referência ao barqueiro que atravessa o rio da morte levando o
espírito de um falecido para além da vida.
[17] Equilíbrio entre corpo, espírito e mente.


