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sábado, 25 de fevereiro de 2017

A caixa branca do mágico de Oz...


É de uma obviedade extrema, quase simplória, de que tudo que é explícito, é invisível aos olhos. Falo desse mundo virtual, produto do capitalismo racista, que nos engole, e nos faz pensar que ele seja a única e perene realidade. É um sistema que produz o sofrimento como uma infalível técnica de evitar que o indivíduo tenha compreensão de sua própria existência; via de regra, o negro é mantido, através da força, da intimidação e do medo, numa atitude obsequiosa e servil, mais do que ser escravo do que fizeram conosco, somos escravos de nossa própria aparição nesse mundo onde a realidade se resuma a índices; num espetáculo de sofrimentos e castrações, onde a memória se apaga em tempo real.

Nesse mundo de feudalismo tecnológico, onde o branco é quem diz: “somos todos humanos” enquanto nós negros, somos os únicos a sofrer, de forma violenta, as consequências do racismo; desse racismo usado como arma que possibilita o exercício do poder sem pudor das queridas pessoas brancas, nesse mundo de redundâncias, pleonasmos e efeitos especiais onde se dissimula a liberdade; esta conjuntura nos coloca num estado de paralisia mental, enquanto fragmenta nosso ser como sujeito de fato.

Nessa mórbida conjuntura, onde a democracia magicamente se regenera a cada coito eleitoral, e a vontade política é conduzida pela mídia, vamos seguindo nos auto classificando para assegurar o espetáculo midiático onde a cada imagem que aparece, algo desaparece. Nesse contexto onde reina a dissimulação, a própria informação é o vírus que nos aloja numa conjuntura de alucinação coletiva.

A TV, que nos infantiliza e subestima, não faz a mínima ideia do que seja real, já que ela fala dela para ela mesma, nos colocando num estado de autismo, de abandono e delinquência; provocando uma profunda introversão primária; fazendo com que o negro tropeça na própria solidão. Quando falo Negro, me refiro a nosso Povo; as negras e negros.

Notório observar que o machismo, feminismo, marxismo e outros ismos mais, são produtos desse mundo euro, usados para que o povo negro se distraia, brigando entre si, para que os próprios não se deem conta da armadilha em que se encontram, e venham focar suas forças nos responsáveis por sua condição de subjugado voluntário.

Somos pensados pelo virtual, produtos, usados pela mídia, como uma mosca dentro de um vidro, onde a noção de realidade ou imaginação do real é completamente anulada; É atemporal; sem passado nem futuro, o tempo não existe nesse mundo, pois nesse tempo real não existe prova de absolutamente nada.

O tempo real desse mundo é impenetrável; um mundo onde a autenticação é virtual, produzindo uma crença coletiva, com seus efeitos coletivos; tudo é virtual, até a nossa própria inteligência. O servilismo das massas e a arrogância da supremacia branca são extensão um do outro, neste mundo onde não somos ator nem espectador, somos meros figurantes de uma realidade virtual, já que estamos sempre fora de cena. Ou seja, somos obscenos.  

Um detalhe que devemos nos ater, é que, diferente da fotografia, da pintura ou do cinema, onde há uma cena e um olhar, o mundo virtual exclui nosso olhar, já que a relação com ele é totalmente umbilical, pois ingenuamente pensamos estar num mundo de liberdade e descobertas. Afinal, essa é a forma sub-reptícia de eliminar as referências das coisas e da realidade que nos cerca, quando mostra, ao mesmo tempo em que sutilmente esconde.

Dessa forma, visamos o insignificante e valorizamos o non sense; a nulidade se tornou a atração principal desse espetáculo de horrores na arena popular do Grande Irmão. Dessa maneira, exatamente como a criança que se traumatiza com o mundo real, o negro adoeceu em contato com a irracionalidade do racismo exposto nesse mundo mágico, quando foi aberta a caixa branca da saxônica Pandora. Por isso, muitos de nós, se tornou uma prosaica réplica de uma querida pessoa branca qualquer; defendendo o seu ponto de vista, repetindo sua fala e sua visão de mundo; desse mundo.

Essa assimilação, consequente dessa lobotomização midiática e escolar, meticulosamente mantida pelo mundo virtual, nos leva a este profundo estado de alienação, fazendo com que nos odiemos, a ponto de matarmos uns aos outros enquanto a casa grande se diverte com esse espetáculo simplório e desmedido de demonstração de extrema carência cognitiva ao qual somos submetidos em nosso cotidiano educacional, social e político.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Uma Lenda Negra...

Reza numa lenda africana escrita no portal da face norte da Miquerinos que, certa feita, na longa estrada da humanidade, aconteceu um incidente... Foi quando na curva da vida, repentinamente a Justiça se deparou com uma tribo leucodérmica vindo na direção contrária; ela, pega de surpresa, subitamente perdeu a direção, adentrando pelo acostamento e indo parar então, numa estrada secundária; uma acidentada trilha adjacente. 

Antes desse inusitado acontecimento na curva da estrada da vida; ambas, a justiça e a humanidade, eram geneticamente siamesas; mas nesse momento, se dividiram abruptamente. Criou-se então, uma bifurcação no tempo e no espaço; formando dessa maneira, uma encruzilhada na história da humanidade; e a melanosidade, guia e condutora da humanidade terrena, viu-se despojada de uma de suas passageiras; a justiça.

Em consequência desse inusitado evento na linha do tempo histórico melanodérmico, os leucodérmicos viram a oportunidade única de tirar proveito do acontecido, fazendo uso da astúcia e da vilania para capturar a justiça, usando para isso um ardil: primeiro capturaram as palavras acondicionando-as num grande livro, alegando que eram as primitivas falas originais do próprio Tempo em pessoa; depois; com o poder do verbo fixado no pretérito do futuro mais que perfeito, transformaram a justiça numa estátua, impedindo dessa forma que ela se locomovesse e continuasse sua caminha pela trilha que fatalmente a levaria de volta a estrada da vida, que a permitiria retornar a humanidade conduzida pela melanodermia.

Com a justiça prisioneira dos leucodérmicos, a humanidade perdida e a melanodermia confusa, fez-se um nó na linha da história melanodérmica. Com essa preciosa linha, é alinha que tece a vestimenta do próprio Tempo, completamente emaranhada; a vida teve que seguir mendigando pela estrada da vida esmolando pelo único alimento-combustível que a possibilitava continuar na sua busca pela justiça; Ela implorava por dignidade.

Enquanto isso, a majestosa estátua da justiça vai sendo usada pelos leucodérmicos como um talismã, um objeto mágico, que faz com que seus caprichos e desejos mais vis sejam realizados e satisfeitos; concomitantemente os melanodérmicos veem sua humanidade ser retirada; e confusos; devido o trauma provocado pelo incidente espaço-tempo na estrada da vida, não esboçam reação alguma. Volta e meia apresentam um lapso de consciência balançando a vida com vira-volta e revoltas inconsequentes. Portanto, enquanto não reencontrarem a justiça e desfazer o encanto, trazendo-a de volta a estrada da vida; a humanidade continuará perdida e a melanina sem a função da direção.

Em último caso, resta apenas esperar pela benevolente intervenção do Tempo; o Grande Mestre, arquiteto da melanina, nosso químico humanizante; para que ele retome a fala das palavras, ironicamente silenciadas quando aprisionadas com tintas pretas, e enquadradas no espaço quadrado branco do livro leucodérmico, uma vez patenteado, transformou-se em seu livro da vida. Somente dessa forma, a justiça poderá sair de sua mórbida passividade, recobrando seus seus sentidos, sua mobilidade, voltando finalmente a vida para caminhar novamente com a humanidade, tendo a melanodermia na direção, seguindo em direção as comunidades epistemológicas do Sul.

Rael Preto
Organização para a Libertação do Povo Negro

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Sobre a Campanha REPARAÇÃO JÁ...!!

Nos, integrantes e coordenadores da Campanha Reparação para os Descendentes de Africanos escravizados no Brasil, estamos emitindo essa nota para tentar dissolver as dúvidas a respeito dessa significativa e ampla Campanha de âmbito nacional e internacional. 


Estamos concluindo a elaboração da proposta de um Projeto de Lei de Iniciativa popular, como uma das formas de forçar a negociação com o Estado brasileiro, dando enfim, início ao processo de Reparação para os Descendentes de Africanos Escravizados no Brasil. 

Portanto, vamos assinalar alguns pontos desse processo, a fim de sanar quaisquer dúvidas que possa haver, no entendimento da citada Campanha: A Campanha de Recolhimento de assinaturas se dará prioritariamente em 09 Estados; os mesmos são: RJ, RGS, SP, BA, PE, MG, PR, GO. a partir da realizações de seminário, eventos atividades afins, nas respectivas regiões. Portanto, é necessário reforçar que a Reparação é um ação coletiva,  como é a própria Campanha em si; e a mesma terá a duração necessária a agenda prevista e precisa que o processo exige:

Esse projeto prevê que o Estado deverá dispor  de seus patrimônios para fins do processo de negociação da Reparação;

Prevê a criação de um Fundo de Reparação, como foi o Fundo de Emancipação que beneficiou os escravocratas, como forma de justiça e equidade;

Prevê a criação da Câmara de Negociação, cujos membros serão eleitos através do Conneb, Congresso de Negras e Negros Brasileiros, ou através de negociadores contratados;

Prevê também a eleição de um juiz arbitral para resoluções de quaisquer impasses que acaso venha a ocorrer durante o processo.

O processo de Reparação não trata somente de ressarcimento ou indenizações aos vitimizados pelo crime histórico que foi o crime da escravidão praticado pelo Estado brasileiro, mas prevê também o regate da memória que foi retirada por conta desse crime. 

Portanto, da mesma forma que os judeus preservaram na Alemanha e na Polônia os locais em que sofreram o holocausto nazista, nós, o Povo Negro exigimos a preservação de nossa memória e preservação dos locais urbanos nas cidades brasileiras ocupados por nosso povo, como vai ser o caso do projeto de revitalização da Pequena África, no Rio de Janeiro; o Território urbano que nossos antepassados ocupavam e foram expulsos, devido a especulação imobiliária do comércio infame branco; como forma de preservação da memória de nosso Povo.

Portanto, nosso projeto prevê um plano (já criado) de Revitalização da Pequena África e a criação de uma Superintendência (antiga subprefeitura) para sua Administração.

Partindo desse princípio, de que houve um crime histórico, e de que existe um produto, fruto desse crime. Ou seja, existe uma herança material produzida por esse crime, e alguém se locupleta dessa riqueza produzida. Sendo assim, nossa Campanha prevê a criação de uma Comissão que irá identificar e responsabilizar as famílias tradicionais brasileiras que fizeram sua fortuna através desse crime, apontando desse modo, os senhores escravocratas como réus de crime contra a humanidade, e a responsabilidade moral de seus descendentes beneficiados com a herança desse crime. 

Resumindo: este processo, em última instância significa a promoção de uma abolição real da escravidão contemporânea, resultante de uma falsa abolição onde  o corpo negro foi liberto enquanto a sua mente foi ardilosamente aprisionada, encarcerando-o efetivamente numa prisão sem grades, nossa senzala contemporânea de escravização moderna, em que a mídia zela pelo chicote do ódio seletivo destilado no pelourinho dominical da escravidão de cada dia que nos dói hoje.

Resumindo: este processo, em última instância, significa a promoção de uma abolição real da escravidão do Povo Negro no Brasil, que se transformou numa massa preta resultante da falsa abolição onde  o corpo negro foi liberto tendo a mente ardilosamente aprisionada, encarcerando-o efetivamente numa prisão sem grades, nessa senzala contemporânea da escravização moderna em que a mídia zela pelo chicote do ódio seletivo, destilado meticulosamente e de forma cruel no pelourinho dominical da escravidão de cada dia que nos dói hoje.

Rael Preto
Organização para a Libertação do Povo Negro





segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A cor do Juri popular e o caso do Turbante colorido...



A liberdade é uma estátua gringa catatônica esquizofrênica, comparsa da justiça; uma estatueta tupiniquim tetraplégica e deficiente visual; ambas trabalham como empregadas bem remunerada do Estado oligárquico plutocrático, contratadas para desempenhar a função de prostitutas lésbicas feminazi, submetidas como primeiras damas a um cafetão branco, cis, de meia idade, religioso e temente a Deus, de amplo sorriso de plástico. 

A pessoa negra que enxerga de perto essa grotesca alegoria carnavalesca, sabe que não precisa de juizes nem de tribunais, e menos ainda de leis ou de julgamentos pasteurizados, enlatados e empacotados a vácuo, entregues em euro-domicílios, além de encontrado em todas as vitrines, oferecidos como promoções no mercado branco que pinta em quadro negro os valores invertidos, em forma de fórmulas mágicas,  travestidas com conteúdos de desonras que recheiam os discursos de indignidade, envolto pelo legitimidade do veredicto-chacota do direito à vida do resiliente elemento padrão.

Este veredito pasteurizado, após ser emponderado com a pseudo estética da falsa Liberdade, Igualdade e Fraternidade, agora faz o negro se deitar em berço esplêndido em companhia de uma viúva branca, esposa de um traficante e escravagista oligárquico que a fez primeira dama, ao qual a própria vítima elegera para representá-lo no congresso nacional. Desse modo, a contumaz vítima se transforma num feroz defensor de seu próprio algoz, tal é a relação de cumplicidade entre oprimido e opressor e seu esdrúxulo contrato leonino. Essa é a conjuntura jurídica onde a lei serve somente para legitimar a indolência e arrogância do opressor, frente a atitude passivamente complacente e servil do oprimido pseudo-cidadão de cor.

Essa oficial justiça virtual não admite quaisquer elementos do humanismo concreto e seus correlatos quando se trata do julgamento de uma epiderme-alvo, ou tez-bandeira. Diagnosticada a cútis, o chicote desce sem apelações ou probabilidades de um divino perdão presidencial, pelo simples querer e desejar do indivíduo colonizador, que prosaicamente se estasia em infringir dor ao ser humano de cor; Sem explicações ou justificativas; apenas um passatempo dominical que se transformou em atração cotidiana global. Essa é a justiça descomunal, quase divina propiciado pelas queridas pessoas brancas desse país tropical, vindo desde as estepes até o paraíso equatorial.

A Justiça que se tornou uma religião, que prega o amor disseminando a dor naquele Ser que ele afirma não ser servo do seu mesmo Senhor. Portanto, o senso cristão da "Justiça" que é a religião da dor, incutida a qualquer homem de cor, traz Constantino como máxima da raça escravocrata, meritocrática e ingrata. Nesse sentido, Negro é Anticristo, e tem parte com o demônio; um infiel a ser dominado, subjugado e extinto.

Mas o que se mostra ironicamente contraditório na barafunda desse contexto global, é que sem o negro, o branco sabe que sentirá a ausência da humanidade, pois ele, o branco, se alimenta da humanidade do negro. Ou seja, sem o Ser negro no mundo, a humanidade se esvanece e se extingui. As queridas pessoas brancas estão cientes disso, por isso traficam e cultivam o  negro e sua cultura como cultivam papoulas ou marijuana. Somos produtos tipo exportação, negociados a peso de ouro negro; nosso samba, jongo, capoeira, candomblé; todas as artes marciais, nosso rock, fado, tango e dança do ventre são testemunha mais recentes desse assalto e sequestro de nossa cultura.

Reclamar hoje do sequestro de nossa indumentária, significa reclamar a nossa cultura sequestrada, a falsa abolição, o fim do holocausto do povo Negro, etc. ao mesmo tempo em que silenciar, seria o mesmo que observar a vitrine branca que expões Cláudias e Amarildos como atração espetacular do dia, sem perceber os Rafaeis Bragas produzidos pela Polícia Militar cujos policiais agora começam a desconfiar fazer parte da humanidade, ao esboçar uma tímida reação quase humana, ao reivindicar dignidade humana que os mesmos sempre negaram as vítimas que o escravocrata aponta e acusa como culpado sem culpas, mesmo que tal sentimento humano seja em causa própria.

A Casagrande, que sempre teve como fonte de alegria indizível o exercício frugal de estimular as dissenções entre pretos de sapatos e negros rebeldes, usando ícones da crueldade como Willian Lynch e até mesmo o negro acadêmico Joahnn Blumemback, e os capitães-do-mato sustentadores da situação, hoje conhecidos como policial militar, que com as mesmas funções de outrora agora agem também como fiscais e juízes nesse fúnebre jogo dominical diuturno.

As queridas pessoas brancas, criadoras da competição, que trouxeram o machismo, o feminismo e a meritocracia como elementos primordiais nesse jogo de xadrez branco chamado de capitalismo, mostra a periculosidade avassaladora do vírus leucodérmico contraído pelos participantes, sem que os mesmos se deem conta de que estão participando de um jogo com regras leoninas, criadas pelo imperador dessa pequena arena eurocêntrica particular projetada no divino muro branco de lamentações negras.

Desculpas, reclamações, culpabilização e lamentações são os únicos elementos desse jogo branco fornecido gratuitamente aos participantes negros, como possibilidades de vitória, para que esses competidores possam fugir as responsabilidades de suas ações colonizadas e colonizantes. Não lhes são permitido questionar ou discutir as regras postas e impostas pela supremacia branca, pois branco pode tudo.

O negro que pensar, vai desejar a vida extra-muro, planejando e arquitetando planos de fuga e estratégias para pular ou derrubar esse muro; esse sujeito, enquadrado como elemento padrão, vai ser taxado de marginal, anormal e desleal, pois o mesmo foge as normas, as regras e as leis da "justiça" estabelecida e, sem tais leis e tal justiça não teríamos nada; isso justifica os excessos policiais, as torturas divinais, os carrascos de elite e os assassinatos categóricos da massa preta fora-da-lei. A massa preta sempre foi fora-da-lei, mesmo agindo dentro da tal famigerada arma branca que representa a lei leucodérmica, visto que o seu julgamento já foi acordado a mais de 1500 anos atrás.


Portanto, jogar capoeira de turbante antes do samba de roda e da umbigada, só e permitido a branca doente e mais nada; os demais que forem da cor, devem se calar ante o som de seu próprio tambor; pois assim reza o amurábico código penal grego-tupiniquim estampado no muro incolor; o muro da desigual justa da justiça medieval Estatal contemporânea.

Rael Preto
Organização para a Libertação do Povo Preto