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terça-feira, 15 de julho de 2014

Negro drama: Cláudias, DGs, Amaridos e Felipes... E os princípios de igualdade branca tupiniquim.




Enquanto branquinho se empenha na formação de uma rede de auxílio mútuo e de proteção, como o exemplo da constituição no senado federal da Comissão da verdade, que visa única e exclusivamente à compensação das perdas sofridas por seus pares eurodescendentes durante os anos de chumbo da ditadura militar; nós, os neguinhos, que somos permanentemente torturados e sistematicamente dados como desaparecidos, somados aos milhares de mortos e humilhados pela atual ditadura democrática, em vez de formarmos comissões protecionistas como as dos branquinhos, deixamos um vácuo onde essa mesma branquitude nos brinda com novíssimas e eficazes versões do AI-5.


No atual governo eleito democraticamente, neguinho que protestar exigindo direitos humanos é considerado terrorista, sendo combatido com blindados, tiros e bombas, com o aval de uma presidenta dita de esquerda, e ironicamente eleita pelo seu passado de protestos a favor dos direitos humanos.


Nesses dias, sucedidos por protestos do povo preto, contra a tortura, assassinatos e desaparecidos de negros pelas ruas e morros do Rio de Janeiro, numa tentativa de combater o genocídio, sobre os auspícios da ditadura democrática, perpetrado pelas polícias e milícias cariocas ao povo preto desse Brasil brazilleiro; os quatro poderes: a mídia, o legislativo, executivo e o judiciário, têm mostrado sua fina arrogância e extrema covardia no trato das questões étnico-raciais, ao permitir que o requinte das atrocidades, patrocinadas e executadas pelos próprios, sejam praticadas sem quaisquer limites ou razão, na opressão desmedida ao negro cidadão.


Esses quatro poderes têm usado, com extrema habilidade, as lições de Maquiavel na implantação dos princípios de William Lynch referentes à sua política de como se tratar negros; encontrando para isso, um terreno fértil no que concerne a diferenças como as de religiões, nuances epidérmicas e nos variados tipos de cabelos. Esses ingredientes tem se mostrado eficazes na desunião do povo preto, enquanto o trabalho sujo passou a ser missão explícita das polícias e milícias cariocas, como preciosa força auxiliar nesse processo genocida.


É nessa conjuntura político-esportiva que a história se repete com um fúnebre festival de dor e alegria; os gritos de gol da torcida se misturam aos gritos da carne negra retorcida, acompanhando as lágrimas de emoções dos jogos das seleções e dos choros de extremas aflições causados pelo choque dos pelotões, nas execuções das ordens fora de ordem desse Estado de exceção.


No esporte, como na luta pela vida, os fatos e fotos desde Davi frente Golias a Jesse Owens frente a Hitler, são transformados e coisificados pela mídia, que faz dos gritos negros gentrificados, um grandioso espetáculo tragicômico decompostos em lucros líquidos a causa branca e a casa branca. É exemplo sorumbático para nossos afro-infantes que nossos atletas negros tenham que degustar bananas, oferecidas como repasto por seus euros torcedores, no pasto verde de uma arena branca.


Aqui, no outro lado da imbecilizante telinha televisiva, nosso sumiço não é virtual, nossa tortura é real, assim como nossa finitude não é natural em meio a tantas humilhações públicas espetacularizadas pela mídia fascista, nazista e racista da TVs nossa de cada dia: nosso pelourinho digital.


Exemplo crasso da eficiência dessa dissimulação midiática foram os aplausos da população brazilleira a surra lavada por Thais Araújo; uma atriz negra da plim, plim; dada por uma atriz branca, também da plim, plim; justamente num dia 20 de novembro negro. Hoje essa mesma população aplaude a vitória do time alemão na copa do mundo da fifa. Ou seja, aplaudem os exportadores de nazistas e Volkswagen, não necessariamente nessa ordem fora de ordem. Essa é mais uma vitória simbólica da branquitude que de novo reforça o lugar de brancos e negros na sociedade, retroalimentando o apartheid negado e promovido pela mídia, invertendo e desqualificando valores plurirraciais.


Esse apartheid entre a população brazilleira e o povo negro brasileiro, tem sido a menina dos olhos do mercado oligárquico, pois combina e implanta com maestria o racismo teocrático, o racismo cordial e o racismo voluntário, criando a maior e mais fatal doença branca que se tem notícia na história do mundo, visto não se divisar quaisquer perspectivas de cura.


Essa doença, a zumbiphobia, a exemplo da peste bubônica que arrasou os europeus, aponta para uma pandemia onde o outro é eliminado epistemologicamente, psicologicamente e fisicamente em sua plenitude; é uma doença de pele, que deflagra o Negro drama, causando o genocídio de um povo; no caso específico, do provo preto.


O povo preto traz na tez a lembrança do Reino de Palmares. Em consequência disso, a portas da idade média se abriram, trazendo sua epidemia aos corações e mentes eurocêntricos, para receber esse povo de forma tétrica através das tretas da política eugênica. Mesmo esse povo negro renegando sua própria cútis, não há garantia de livrar-se da ZUMbiphobia Bestializada Adquirida: a doença branca que mata o outro matando a si mesmo. A igualdade é branca para os brancos; a desigualdade é negra para os pretos; o ministério da injustiça adverte: O Negro drama é causado pela ZUMBA, doença branca para pele branca, que se não houver prevenção também pode ser adquirida por quase-negro, quase-branco e negro-preto. Ou seja, os sem-identidades.                                                                                                      




Israel de Oliveira

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