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quinta-feira, 10 de abril de 2014

São 10.639 condições necessárias para torna-se professor de escolas públicas


Para ser legitimado como professor e educador na escola pública brasileira, o sujeito deve lembrar-se primeiramente que isso implica de saída, na assunção de que sua zona de conforto será, a partir desse momento, uma permanente faixa de Gaza elevada a décima potência multiplicada por 10.639 ao quadrado, somados as forças das boas intenções buscadas no inferno do submundo capitalista desumanizante das relações de poder. Sem assumir essa condição de caráter estritamente hermenêutico e diatópico, as possibilidades de sua voz de tornar credível, seriam anátemas.

Esse lugar só pode ser percebido de forma hermenêutica, e só seria realmente possível assumi-lo a partir da assunção desse repto; no mais, qualquer fala nesse sentido, tornar-se-iam percalços no exercício do magistério, mesmo imbuído de boa causa e intenções.

Tudo que vier após o primeiro passo dessa assunção, denominado como obstáculos, empecilhos ou mesmo ações atribuídas às forças sobrenaturais, seriam apenas vernizes que tornam essa trilha digna de ser conquistada, como o buril que faz brilhar, provocando a lapidação necessária do objeto ou do objetivo a ser alcançado.

Portando, as 10.639 condições necessárias ao professor e/ou educador para se tornar um facilitador, e não apenas mais um prosaico reprodutor das representações postas e impostas, se resumem a uma somente; as condições restantes são objetos de conjecturas que visão nublar a visão, de maneira a confundir o objetivo ambicionado. Ou seja, são tarimbados objetos de distração, estrategicamente semeados no picadeiro desse circo chamado educação; sendo assim, o show deve sempre continuar e na sua zona de conforto muitos deverão se conformar usando as 10.638 condições restantes para se justificar.

                                                                                         

Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva: falando sobre a falta de caráter e o embranquecimento afirmou o seguinte:

 “Nós negros temos de confirmar que há um modo próprio de ser negro - de viver, de conviver, de trabalhar, de lutar; - Temos de nos encontrar para confirmar e afirmar nossa identidade de negro;- Não é por falta de caráter que muitos negros querem embranquecer, nem sempre é possível vencer as pressões; - É em atmosfera de desprestígio e exclusão que temos de nos impor como negros; - A nossa força vem de nós mesmos, isto é, de nossa comunidade, de nosso Ancestrais; -Somos negros brasileiros, não queremos viver separadamente dos brancos, mas exigimos que nos respeitem; - Precisamos lutar para isso, luta incessante que se faz no dia a dia; - Vamos aprender a lutar, vivendo e pelejando, conversando, perguntando, ouvindo histórias antigas e atuais, esclarecendo e sendo esclarecidos sobre a vida e o modo de ser dos negros, interessando-me pela história dos negros brasileiros"

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