Um prudentemente provérbio africano, nos alerta para o
fato de somente uma mentira
ter o poder de estraga mil verdades, por outro lado a mídia
mundial contemporânea perversamente profetiza que "uma
mentira repetida torna-se uma incontestável verdade", se
entregando assim, profissionalmente, ao espúrio expediente de
mentir escancaradamente como principal função (in) dignificante de seu
"ganha pão".
Nesse dantesco cenário é incrível o hercúleo esforço desesperado
da mídia em desempenhar equivocadamente as funções na qualidade de juiz
supremo, nessa constante construção e formatação de uma sociedade bem
comportada e disciplinada; Por outro lado, é um lenitivo perceber, que uma
pequena parte de foras-das-leis dessa
sociedade bem comportada, faz uso da subversão como antídoto necessário à
imunização desse fatal veneno midiático que mortifica em vida, mumificando a
capacidade de produção de sinapses.
Observamos sempre uma sabatina de comerciais repetitivos a
exaustão, de noticiários estrategicamente transformados em produtos de consumo,
de opiniões burguesas e oligárquicas editoriais transformadas em
"informações" e legitimadas como verdades absolutas; tudo feito com muita
afetividade, dentro d'uma gentil arrogância, para se retroalimentar de forma
contínua das emoções daí geradas num ad
eternum moto perpétuo. É incrível o poder que possuí a mídia de mediocrizar
e imbecilizar seus telespectadores, fazendo com que sejam idiotas a ponto de
refletir com espantosa exatidão a opinião de seu objeto abjeto.
Estas semanas, que seguem pós meses de intensas manifestações e
aparentes transformações, tive a infelicidade de saber que um africano foi
preso ao tentar perguntar as horas a uma senhora num ponto de ônibus; esta
senhora em questão, estava ao celular e ao ver o africano se aproximando,
soltou um grito de desespero, jogando o celular para o alto, largando a bolsa e
correndo em histérico desespero, chamando a atenção dos transeuntes que vendo a
cena e pensando trata-se de um assalto chamaram imediatamente o auxílio da
força policial. O africano assustado com tudo aquilo, correu até levar um
tombo, foi pego e preso, sendo autuado em flagrante por tentativa de assalto.
Esse sinistro fato ocorreu na cidade de São Gonçalo; município que
possui um intrépido corpo policial; aquele mesmo 7º batalhão que assassinou a
juíza Patrícia Acyoli a mando do próprio coronel da corporação, por ela
conduzir o julgamento dos diversos crimes cometidos pelo coronel e por
policiais, diante de investigações da corrupção pulsante na citada corporação. Agindo
assim, com extrema competência e habilidade, esses policiais ganharam o dia
resolvendo mais um crime que não aconteceu, e nem viria a ser crime, na cidade
de São Gonçalo do Amarante do Rio de Janeiro a dezembro.
Essa intrépida mídia, exatamente como nossa protetora e competente
polícia assassina, trabalha; Com muitíssima habilidade: enquanto uma prepara o
tribunal que julga e criminaliza a pobreza e a negritude, a outra, com requinte
de perversidade que lhe é peculiar, executa disciplinadamente as sentenças, de
forma heroica e cinematográfica; ato também conhecido como justiça social;
justiça legitimada, aceita e assimilada de forma estupidamente natural pela
sociedade imbecilizada e coagida pela veiculação das repetitivas mensagens das
verdades mentidas oficiais.
A incapacidade mental e intelectual propagada pelo sistema
meritocrático que é sistematicamente proposto pelos economistas e
especuladores, sendo imposto pela mídia como símbolo nacional, portanto
sagrado, é o mote repetido nas propagandas nacionalistas governamentais. Ou
seja, tenha orgulho de ser um imbecil atualizado, afinal lhes é permitido
ingerir sua cerveja predileta, assistindo seu time preferido jogar, terminando
tudo em samba com um final feliz no Big Brother nº 171; então está tudo bem:
Vestindo a camisa da idiotia elevada à décima potência, vamos parar o Brazil
durante o final da novela da plim, plim para tudo recomeçar na segunda-feira de
todos os santos, tal como merecemos, por sermos cidadãos bem comportados.
No final do ano, após assistirem o inédito show repetido de todos os
anos do rei Roberto, as famílias levarão seus filhos para lanchar no
Mc Donald num shopping qualquer da vida, Enquanto os pais de família se
embebedam fazendo seus churrascos e comentando o resultado do último jogo do
time preferido, e as mães discutem as últimas e empolgantes cenas da novela das
oito, opinando sobre quem morre ou vive na final, além de rir prazerosamente
dos tantos reality shows, especulando sobre quem vai comer ou ser comido
durante essa pueril história das eróticas fadas safadas, que brevemente posarão
nuas no próximo número da revista Play
Boy que o filho recém-adolescente
esconde no fundo da gaveta.
Assim, nossa TV toma para si a sagrada missão de disciplinar e de
educar dentro dos valores que possam permitir que especuladores, empreiteiros,
agro fazendeiros e as quadrilhas dividirem o espólio da nação, tendo a
tranquilidade e a garantia de não serem importunados por vândalos, Godos,
Visigodos e mulçumanos, subversivos de plantão. Se não fosse a intrépida mídia
e a sagrada religião, essa missão de paz, capitaneada pelo caminhão de lixo da
mídia, estaria comprometida toda essa gigante operação para promover a
estabilidade nos solos das multinacionais e nos gabinetes dos honestíssimos políticos
dessas cidades maravilhosas.
Portanto, é necessário alimentar o povo com muitíssimos
terroristas, homens-bombas, muçulmanos, negros, favelados, indígenas,
macumbeiros e afins; não necessariamente nessa ordem, nesse banquete
cinematográfico, satisfazendo a gula e a voraz necessidade de valores e
referências de heróis e vilões que tem a humanidade desumanizada por essa
própria necessidade.
Então, no palco da vida, sobre as luzes dos holofotes e diante de
um belo tapete vermelho, devemos render homenagens dando uma salva de palmas
para quem fragmenta e despersonaliza, personalizando a identidade de homens e
mulheres ao bel prazer, reduzindo-os ao servilismo, armando-os de passividade e
de religioso contentamento.
Um viva ao cinismo
atraente e lascivo da novela das oito, a sensual hipocrisia, ao desvalor
hierarquizante e a sacanagem S/A. Vivas a pena de vida bandida criminalizada e
vivida sobre a lei da ordem e do progresso oligárquico; Vivas aos invisíveis
campos de concentração contemporâneos, aos partidos Ku Krux Krã, aos fascistas
e nazistas incrivelmente honestos que governam esse país de Zumbis
hollywoodianos, nessa terra de faz-de-conta onde tudo que se planta dá; Um viva
aos premiados homens de bens das capas da revista Forbes.
Preparem seus diplomas para ser assinado nessa lindíssima
formatura, dessa prestigiada escola que educa com maestria, competência e
habilidade na arte da escravização sem deixar marcas visíveis do agradável
sofrimento ou das violências bestiais incutidas como provas de graduação;
oficializando assim, seu estado de pseudocidadão brazilleiro residente em país
estrangeiro: um brinde a mídia brazilleira e outro a estupidez humana e a mais
uma vitória da democratura.

