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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Capoeira de Angola



Havia uma sombra no meio do caminho, no meio do caminho havia uma sombra; Não sei se se minha ou do outro...
A sombra sempre escura que assombra, faz fechar os olhos para não ver a negra escuridão que baixa e não se encaixa no corpo esquivante, que brinca na capoeira gingante.
Girando, indo e vindo, a sombra lombra a visão da águia ao meio dia, à luz da meia lua.
A sombra dança a meia luz, procurando, num movimento que seduz, abraçar na benção e na ponteira de forma bem rasteira, a assombração que gira, circula e domina a roda da vida.
No meio do caminho havia uma sombra; havia uma sombra no meio do caminho... A outra sombra não era escura... Era a sombra assombrada pelas almas arrancadas dos corpos de ébano...











segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Cotas, cotistas e cotados no inverso do reverso.


Para se construir o Brasil, os africanos, nossos ancestrais, foram sequestrados e escravizados segundo as bençãos da cristandade. O expediente de vendê-los como animais num zoo, para depois adestrá-los sobre  torturas nos pelourinhos públicos transformou-se em lugar-comum.

Os mondages (africanos sequestrados) expostos nos mercados negros do Rio de janeiro e em todo o litoral brasileiro, tornou-se um acontecimento cultural motivo de frisson, uma moda que se alastrou e aqueceu o mercado financeiro mundial, firmando-se na cultura brazilleira como uma ordinária frivolidade necessária inerente a branquitude, trazendo a europa (assim mesmo em letra minúscula) e estados unidos para um lugar de destaque na disputa do poder no cenário internacional.

Hoje os motambas (pessoas vendidas pela própria família por motivos financeiros) e mondages se expões como mercadoria por "vontade própria", para se venderem no mercado branco, aos descendentes dos awurafam (senhor das armas), hoje proprietários dos meios de produção; enquanto nós, os ancestrais,  julgamo-nos livres na condição de escravos-de-ganho. Assim, continuamos a ser objeto de uso e a produzir as riquezas para a elite, proprietária dos meios de comunicação e de produção. 

A lei da terra, instituída em 1850, seguindo o exemplo da lei Euzébio de Queirós, do ventre-livre, dos Sexagenários, das Cotas, etc; nos mantém  marginalizados e docilmente alijados da sociedade. 
Hoje, após um misterioso surto de bom senso de um pequeno grupo de políticos, sensíveis aos inúmeros assassinatos de negros e as incontáveis manifestações de apelos a humanidade branca, passou no congresso nacional a Lei 10.639/03, sendo a seguir,  diluída dentro da lei 11.645, para que tivesse, a exemplo das cotas raciais habilmente convertidas  em cotas sociais, seus efeitos eufemizados  afim de atenuar as consequências legais.

A mídia brazilleira, propriedade da elite escravocrata, reforçam os efeitos dessas leis que domesticam e mantém os "libertos" em seu lugar de Motambas e mondages. Assim, nessa dominante cultura da branquitude, os indígenas foram batizados pejorativamente de índios e as comunidades africanas rotuladas de tribo, de uma maneira naturalmente recorrente; Sendo os mesmos desapropriados de suas terras nativas  e a força ativa do negro, continua ainda hoje sequestrada, para gerar riquezas para a branquitude que se apropriaram de maneira invertida dessas mesmas cotas, para introduzir, padronizar e legitimar a meritocracia como simbolo de liberdade conquistada. Essa liberdade, passou a ser a única liberdade aceita como legítima na cultura popular, imposta de forma eugênica, pela branquitude.

É certo que a liberdade nunca é concedida, mas sim um resultado de conquista, de lutas e de resiliência. Esperar que essa elite tenha um momento de lucidez suscitando a ética e o respeito a humanidade, é uma lamentável utopia. Ubuntu é uma palavra alienígena e de significado desconhecido para a branquitude eurocêntrica. Portanto, usar o perverso e hediondo método de recorrer ao expediente corriqueiro de assassinatos e torturas, usando para isso os próprios escravizados que se julgam livres, como executores dessa morbidez, transformou-se em lugar-comum;  sobre os auspícios  da mídia, como outrora fora da cristandade. Dividir para governar, esse sempre foi o lema infalível da elite dominante.

Hoje os mondages lutam por uma liberdade meritocrática, e os descendentes dos motambas pelas cotas e pela Lei 10.639. Assim os malungos digladiam-se, enquanto a elite assiste satisfeita esse cenário caótico, como mais uma grande vitória similar a lei áurea.
Nossa baía de todos os santos da Guanabara não tem mais seus Cândidos Joões, pois as fardas militares agora pertencem aos Joões-ninguém de cor negra e armados de branquitude. Esses, a exemplo do João que acreditou e foi traído pelas promessas presidências, acreditam na mídia capataz e se veem na santa paz; paz armada, paz branca, paz da TV, paz assassina.
Luz, câmera, ação... E mais um negro vai morrer no calçadão para turista ver que a segurança é forte do Rio até o norte.
...Pausa para nossos comerciais....
Fique na paz...voltaremos logo mais, para contar os corpos de mais rapaz...Nossa cota tá cumprida por hoje...Somos a favor das leis, da princesa isabel, da família (branca), da religião (na escola)... Somos homens de bens...





sábado, 8 de dezembro de 2012

A Economia da Rosa dos Ventos


É necessário que a escola pública seja de má qualidade, para que gerem trabalhadores servis, para proporcionar as escolas particulares os lucros absurdos e que possam preparar os filhos dessa escola branca, para gerir seus negócios que irão empregar esses trabalhadores servis, que gerarão as riquezas que lhes competem como proprietários dos meios de produção.
É necessário que os hospitais públicos sejam impróprios, para que os hospitais particulares possam ganhar com a violência, torturas e mortes praticadas pelos agentes públicos contra trabalhadores servis, que discordam desse perfeito sistema capital.
É necessário que as universidades públicas sirvam a elite e não ao público servil, para que as faculdades particulares possam obter lucros, com os servis que tentam um mínimo de mobilidade social, na tentativa de ser cidadão.
É necessário que nossos militares sejam assassinos e torturadores, a exemplo dos capitães do mato, pretos que queriam ser gente, trucidando sua própria gente; para pensar que poderia, em algum momento, sair da condição de escravizado.
Enfim, é necessário que o cidadão comum dispute entre si um resto de dignidade e respeito, quando quem o desrespeita não são seus pares, mas sim a elite que o envenenou com uma inocente mentira, dizendo que uns são melhores que os outros, usando a mídia para se eximir de quaisquer responsabilidades pelo crime de falso testemunho que provoca a denúncia inquisitória de irmãos contra irmãos.
Assim, dividindo, ela, a elite, pode governar na santa paz do Deus único, patenteado e legitimado pela manipulação das massas. Essa elite sabe exatamente que uma gota de veneno, compromete todo um reservatório de água pura. Assim, faz uso de uma única mentira para estragar mil verdades. De maneira tremendamente fácil e até pueril, as inocentes mentiras se alastram como chamas num dia de verão, sobre as mentes incautas da geração big Brother.
Mas, em meio a cinco mil Deuses cultuados no mundo, a elite sabe que somente o de sua propriedade é verdadeiro; assim, seguem legitimando as verdades e qualificando as mentiras da maneira que deve ser. Portanto, o mundo segue rumo ao norte, sem encontrar o Sul; norteando-se sem se orientar.