As negras e Negros, após o trauma vivido pelo sequestro, chamado academicamente de Diáspora, passaram pelo segundo trauma, a segunda diáspora, que foi ganhar uma liberdade de mentira, também chamado hipocritamente de abolição pelos políticos de plantão. Esses séculos de perversidades, torturas e estupros, também chamado pelo pomposo nome de democracia racial, deu origem a uma nova população; a generosa população brasileira.
População essa, que está sofrendo sua terceira diáspora, de forma suis generis; não sendo sabedores de suas raízes, de sua história, estão sendo conduzidos, cultivados e ordenhados tal como o cão de Pavlov, para não se darem conta de sua condição de escravizados. Portanto, como "escravizados felizes", não possuem instrumentos para detectar a gênese de sua desgraça e atinar para o lugar que ocupam, visto que assim naturalizam todo espécie de infortúnio enfrentado, conferindo-o, como fora domesticado, ao fator meritocrático.
Assim, nossa terceira diáspora está sendo implantada completa e mórbidamente: A primeira tentaram lhes tirar sua dignidade apropriando-se seu corpo e lhes tirando sua casa, sua família; na segunda tentaram extermínio deste mesmo corpo, já que tornou-se descartável, através de políticas sociais genocidas; e agora, na atual diáspora, estão roubando sua imagem, se apropriando indebitamente dela, para continuar a auferir lucros, como forma da manutenção dos privilégios advindo desses mesmos lucros, como sempre assim o foi.
Os negros e negras continuam, de forma ininterrupta, sendo fonte de lucros. Outrora como pés e mãos dos arianos, construindo o Brasil, Portugal e Espanha concomitantemente. Os europeus e norte-americanos hoje, preferindo o sistema de franquia, desenvolvem seu sistema escravocrata sem mais necessitar do Owba coocoo, como era chamado o navio negreiro; uma despesa a menos, preferindo usar o próprio solo dos escravizados nesse funesto processo. Tal como os cientistas japoneses, americanos e europeus que chegam na amazônia, contrabandeiam os frutos da terra transformando-os num produto "diferente" e vendendo de volta aos nativos por um preço significante ou construindo sua fábricas, usando a mão-de-obra escravizada e deixando aqui só o lixo como único legado de sua presença.
Assim se dá com a imagem do habitantes do Novo Mundo, os brazilleiros, que compraram nesse "mercado branco" uma nova imagem como sua, vivendo uma cultura alienígena, num pensar destacado de seu modus vivendi: corpo Afro e cabeça caucasiana. Nas diásporas anteriores a resposta ao repto desse contexto foi a resiliência, que se resultou em Capoeira e Carimbó, indo do batuque ao Candomblé. Hoje essa resposta se perdeu no vácuo do labirinto da memória, onde o negros e as negras não se encontram mais seu próprio eco, perdendo-se em si, mergulhando do Owba Coocoo pós-moderno no plácido reflexo do Narciso S/A, apresentado como seu, assumindo assim seu lugar na senzala contemporânea.
Assim o sequestro de sua imagem, tem como consequência a apropriação da criatividade e da força produtiva do negro, que se dá de forma naturalizada e normatizada, aceita sem ponderamento ou questionamento pela sociedade como um todo. Essa diáspora pós-moderna, foi além do sequestro do próprio corpo, da casa e da família negra; ela sequestra também os sentidos, consequentemente a percepção de si, de seu mundo e do mundo ao seu redor.
Essa diáspora certamente não será tratada como objeto de pesquisa ou motivo de apreciação por parte da academia, visto ser um expediente que poderia mexer com o "equilíbrio" do sistema Matrix vigente; um vírus que poderia abalar a conjuntura desse famigerado contexto vendido como legítimo; contexto que lava pensamentos com modernos detergentes de neurônios; neurônios agora turbinados e rotulados de acordo com os acordos dos que concordam ou se beneficiam com tal sistema de coisas e coisificações: a sociedade que reza pelo senso-comum, base da terceira diáspora, solidificada pelas mídias de informação e comunicação.
Enquanto não houver um modo de cooptar esse princípio básico de pensamento livre, não subalternizado, ele não será tratado com a relevância necessária, e nem como prioridade. Um provérbio africano afirma que a ruína de uma nação começa nas casas de seu povo; Quando as negras e negras finalmente restaurarem sua família, reiniciando uma educação pautada em princípios, afim de resgatar o zênite de uma nação fraterna e solidária, então assinaremos na alma nossa alforria. Reencontraremos conosco mesmo, finalmente encontrando nossa imagem perdida nas relações virtuais da ética digital.
Assim, da abolição popular, passando pela abolição oficial, chegaremos enfim, a abolição de fato legítima. Aquela Abolição com "A" maiúsculo, que não consta na pauta de nenhum político ou candidato; não consta na agenda de nenhum empresário nem dono de fábrica; não consta no dicionário da classe média nem da oligarquia. brazilleira: Á LIBERDADE NEGRA. Essa liberdade não se reduz à igualdade somente, mais sim a paridade. Ou seja, manter às diferenças dentro dessa igualdade, para que nosso identidade não seja uma identidade líquida; que ela possa existir dentro dessa liberdade, mesmo pautada pela insegurança de se perder.
Enquanto não houver um modo de cooptar esse princípio básico de pensamento livre, não subalternizado, ele não será tratado com a relevância necessária, e nem como prioridade. Um provérbio africano afirma que a ruína de uma nação começa nas casas de seu povo; Quando as negras e negras finalmente restaurarem sua família, reiniciando uma educação pautada em princípios, afim de resgatar o zênite de uma nação fraterna e solidária, então assinaremos na alma nossa alforria. Reencontraremos conosco mesmo, finalmente encontrando nossa imagem perdida nas relações virtuais da ética digital.
Assim, da abolição popular, passando pela abolição oficial, chegaremos enfim, a abolição de fato legítima. Aquela Abolição com "A" maiúsculo, que não consta na pauta de nenhum político ou candidato; não consta na agenda de nenhum empresário nem dono de fábrica; não consta no dicionário da classe média nem da oligarquia. brazilleira: Á LIBERDADE NEGRA. Essa liberdade não se reduz à igualdade somente, mais sim a paridade. Ou seja, manter às diferenças dentro dessa igualdade, para que nosso identidade não seja uma identidade líquida; que ela possa existir dentro dessa liberdade, mesmo pautada pela insegurança de se perder.



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