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terça-feira, 1 de maio de 2012

Mundo Mundi

Na tela do computador, observo a foto que ilustra um curioso momento: durante a visitação a um museu de arte contemporânea, um colega professor faz uma minuciosa explanação sobre o sentimento do artista, analisando ângulos, cores, movimento na estética da obra à sua frente, e sua relação com o contexto social e político da conjuntura pós-moderna. O mais intrigante é que se tratava de um extintor de incêndio que, obviamente não fazia parte da exposição. Após longa explanação, o professor finalmente, sobre o olhar surpreso e desconfiado da estudante, confessou que era tudo brincadeira e que, na verdade estava fazendo uma pegadinha. 

Este curioso episódio ilustra, de forma patética, a conjuntura social brazilleira capitaneada pela mídia. Ela, a mídia, a grande fábrica de verdades e protetora do senso comum, não prega peças nem faz pegadinhas, nessa sociedade onde cidadão é aquele indivíduo que compra peito, bunda e músculos nas clínicas, farmácias e academias da cidade; É aquele indivíduo que consome propagandas sem moderação, numa sociedade que constrói imensos arranha-céus para ocultar barracos e palafitas, como se esconde lixo embaixo do tapete; Uma sociedade onde questões sociais é transformada em questão policial; Onde racismo é sinônimo de injúria e preconceito é lei natural, religiosa e social.

Assim, essa sociedade através da mídia, convence o indivíduo de que ele é fraco, de que ele não é autônomo, destituindo-o  do exercício da cidadania plena, de sua heteronomia. É notório e público que nossa classe política enriquecida é  corrupta; essa oligarquia que nos cala, expressa sua força  através da mídia manipuladora, preconceituosa e racista existente no solo fértil do Brazill varonil,  refletindo nossa sociedade senil.

Assim, a escola paralela (mídia) comentada por Paulo Freire, educa nossa juventude, formatando nossa sociedade com verdades recheadas de perversidades, crueldades e antropofagias; verdades escritas com sangue negro, pela ética sequestrada e roubada através da força ativa escravizada. Por isso a palavra, convencida por ela mesma da destituição de seu poder, foi substituída pela escrita, carimbada e registrada em cartório. A verdade enfim se faz verbo, se fazendo carne; Carne negra; Pele escravizada pela escrita tatuada na lei que impede a justiça cega de se realizar.

Nossas imagens midiáticas são ilustradas por essa escrita antropofágica, como a presença daquele extintor que fixado na parede do museu de arte contemporânea sendo justificado pelo professor; nossas imagens (fatos) são justificadas pela mídia comprometida, de acordo com as conveniências das verdades oligárquicas. Nosso cidadão sabe que é necessário usar camisinha, mais essa recomendação passa em branco, na maioria das vezes, durante a euforia do momento; assim como sabe que a TV mente, mas mesmo assim, seu senso se pauta pelas falsas informações veiculadas pelas tecnologias de informação e comunicação; uma situação "negra"que sempre passa em "branco", mesmo que todo sangue seja vermelho, como a cor daquele extintor, e o discurso seja azul, como a cor da caneta que assina a falcatrua da alforria negra.


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