Rompendo o silêncio histórico do povo melaninoso, protagonizando o outro ponto de vista de uma outra história que se evita ser contada, afrocentrizando o olhar paradigmático sobre a cultura oficialmente formatada, patenteada e legítimada como única.
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sexta-feira, 30 de março de 2012
quarta-feira, 28 de março de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
O corpo fala...!!
Aquilo que os europeus
chamavam de pregar a justiça de Deus aos povos bárbaros; ou seja, povos não
europeus; nos dias de hoje o dicionário denomina de genocídio. Atos comuns
dessa missão europeia, como assassinatos em massa, tortura, estupro e
sequestro, agora é academicamente chamado de diáspora africana pelos
intelectuais renomados.
As diversas comunidades
africanas violentadas, depois de manipuladas a venderem seus próprios irmãos
como escravos, foram colocadas juntas e denominadas de acordo com a região em que
foram caçados, antes de transportados para as Américas. A nação Gêge, os Nagôs,
enfim, os povos de cultura Ioruba desembarcaram no nordeste brasileiro,
enquanto os povos bantos desembarcaram no sudeste.
A cultura iorubana é
extremamente visual, se traduzindo através de suas roupas coloridíssimas, sua
arte, escultura, seus orixás, etc. Enquanto os bantos tem sua cultura baseada exclusivamente na oralidade e na corporeidade, traduzida por suas danças rituais, sua música e
suas histórias.
Não foi por acaso que a
Capoeira, assim como o Samba teve seu berço no Rio de Janeiro e o candomblé na
Bahia. Mais quando se fala em negritude a primeira lembrança que se tem,
limita-se a religião de comunidades que representam cerca de 20% dos povos da África das regiões onde se concentram os Orixás.
É através da evocação
desse pensamento que as religiões ocidentais, em especial as neo-evangélicas,
tentam desqualificar os povos classificados por eles de povos bárbaros, usando
como outrora, a bíblia. Assim, qualquer violência contra a população
melanodérmica passa a ser sagradamente justificada e naturalmente aceita pela
sociedade passiva e pela sociedade dominante que estruturam nossa cultura de
massa, e por aqueles que se veem privilegiados pela perversidade desse
contexto.
No Rio antigo,
capoeiristas como Prata Preta e Manduca da praia estavam enfrentando a polícia
enquanto ainda não se falava em M. Pastinha e muito menos em M. Bimba que
surgiria no cenário na década de trinta, no governo do ditador Vargas, quando
Besouro de Mangangá havia se tornado lenda. O tráfico interno de peças (escravizados) no Brazil passou a ser
fato comum, com a interferência inglesa no comércio de gente, portanto, a
Umbanda se fez presente o Rio Janeiro através dessa assimilação Ioruba-Banta.
A população
melanodérmica do Rio de Janeiro, assim como seus antepassados, os imigrantes
nus, que trouxeram sua história no corpo e no coração, transformando sua
essência em capoeira que terminava com Samba e Sorriso; hoje faz seu corpo
falar funk e sua boca entoar Rap, traduzindo sua herança que não se calou pela
coerção da escrita eugênica tupiniquim. Portanto, sua essência é passível de
ser desqualificada pela aristocracia reinante, descendentes da princesa
portuguesa e donos da terra invadida e apropriada indebitamente; que hoje expulsam os Negros chamando-os de invasores.
Assim, nosso governo
oficializa o gueto, legitimando os preconceitos e o racismo institucionalizando-os, após a
"histórica" justificativa religiosa e a legitimação da mídia, o 4º poder.
Como dizia Kafka: "Primeiro matamos
a sua história, depois impingimos a nossa mentira".
“... A história se
repete, mas a força deixa a história mal contada”... Mesmo Rui Barbosa tendo
tentado apagar a memória dessa população marginalizada, o Brasil continua sendo
o maior detentor de documentos que fariam da história da África uma história mais completa. Mas o receio da oligarquia e dos religiosos de reconhecer
publicamente o negro como o arquiteto e engenheiro das Américas, fez preferir
transformá-lo numa dogmática ameaça psicológica virtual permanente, já que essa
atitude se mostrou comercialmente mais lucrativa, além de garantir que as
relações de poder permaneçam hierarquicamente estáticas.
Assim a escravidão
mental, perpetrada pelas Tecnologias de informação e comunicação através da
mídia, tornou-se a principal aliada na manutenção dessa condição sine qua nom, para a manutenção do
escravismo contemporâneo.
Nossa história está
contida nos documentos sobre os cuidados da igreja e dos militares, especialmente
da Marinha do Brazil. Mesmo ocultada essa história, o corpo Afro não se cala;
ele que fala, que grita para não "dançar" é história viva que não se
apaga, escrevendo com gestos e atos que plasmam seus caminhos nesse descaminho,
sem nega-se nem enganar a si mesmo, o corpo resiste à escravidão imposta à
mente pela mídia, pelo branco que se acredita dominador e pela perversidade
criminosa exercida por uma sociedade hipócrita, que se apropria e manipula a
força criadora da população melanodérmica, ao mesmo tempo que a execra. Assim nasce o
paradigma da dicotomia entre discurso e prática do “Não... Nós não somos racistas...!!
Uma pequena mostra
dessa criatividade foi a invenção do linho, da cerveja, do sabonete, do café,
da máquina de escrever, caneta esferográfica, o regador, a caixa de correios, o
motor a combustão, o cortador de grama, o semáforo, o carimbo, a lanterna, a
lixeira, o cortador de grama, o interruptor, o sapato, tábua de passar, a
geladeira... Enfim, sem mencionar a agricultura, a matemática, a filosofia, a
astronomia, a medicina, a metalurgia, etc. Ou seja, 90% das invenções
existentes atualmente, até mesmo o princípio da informática é fruto da cultura
do povo melanodérmico.
O europeu se apropriou
desse conhecimento e não satisfeito, usurpou a dignidade do negro roubando-lhe sua
memória. Mas a presença desse corpo através do Samba, da Capoeira, do Funk e do
Rap que tanto afronta e assombra os criminosos racistas, são lembranças vivas,
que não deixam essa história se apagar. Mesmo após a mídia ter
imposto seu padrão de qualidade Cáucaso, ter promovido troca de valores, de
cultura e religião; mesmo assim a memória corporal fala mais alto. A ancestral
natureza do corpo se une ao som e ao ritmo dos tambores transpondo as barreiras ideológicas, religiosas e sociais impostas pelos descendentes dos
traficantes, capatazes e senhores de escravizados.
Mais o fato desse
discurso escravagista está profundamente arraigado em muitas mentes, os
conflitos de identidade e existenciais acabam fazendo parte da vida do
afrodescendente; é como se ele tivesse acabado de fazer algo ilícito e sua
consciência, agora caucasiana, funcionasse como o grilo falante das histórias
europeias: no momento sua consciência não mais lhe pertence, embora seu corpo
não tenha ainda assimilado tal informação.
Mais aquele imigrante nu
deixou a sua herança; seus herdeiros a tem como um cavalo de Troia, mesmo
que seu “intelecto caucasiano” lhe aponte a direção, é o corpo que domina seu
movimento, sua direção. Desse modo, nosso tumbeiro se deslocou do plano físico
para o psicológico, tendo consequências reais físicas como reação a nível
social, e psicológicas a nível pessoal.
Nesse atual contexto, o sistema
educacional brazilleiro ainda não deu conta de perceber e administrar esse processo epistemicida e de limpeza étnica,
que iniciou-se oficialmente com a eugenia e vem se perpetrando com as
tecnologias de informação e comunicação promovida pela mídia. O sistema educacional
e acadêmico não desenvolveram competências administrativas e pedagógicas para destituir esse processo de eugenia ainda vigente em pleno século XXI, assim como o tráfico de gente e a escravização no antigo molde colonial.
Os sofismas que
sustentam a desqualificação do afrodescendente como sujeito, faz com que a justiça
brasileira acolha estrangeiros caucasianos, como o mafioso italiano Cesare battist, e deporte africanos que
chegam ao Brasil fugindo das guerras políticas sustentadas por interesses
europeus em solo africano.
No Brazil, país onde fatos
sociais são transformados em fatos
policiais, a justiça funciona de maneira conveniente à conjuntura
escravagista reinante, formatando uma sociedade tácita que sustenta o status
quo da oligarquia brazilleira. Assim como lei áurea, que foi uma lei que contribuiu enormemente para a evolução e considerável transformação nas relações de escravização
brazilleira; ela permitiu que chicote do feitor desse lugar as algemas, que a senzala
se transformasse cárceres inumanos e os tumbeiros em confortáveis viaturas policiais.
Assim o corpo Negro
continua sendo propriedade pública, com tarja preta e prazo de validade,
exposto nas prateleiras dos axiomas paradigmáticos socioculturais tupiniquim; Assim ele, o afrodescendente, caminha em torno de sua árvore do esquecimento num silêncio ensurdecedor incomodando bastante seus detratores. Sua boca fechada não cala a voz do seu corpo festejante de vida, observando a natureza que não se oculta diante do olhar sorridente que circula seu pelourinho de cada dia.
sábado, 10 de março de 2012
Dia das Mulheres no Brazill Brazilleiro...Dia das Marias...da Penha...
Mulher...Um assunto sempre deliciosamente agradável; Só é lamentável a maneira com que a mídia nacional trata do assunto aqui nas terras tupiniquins: o desdém dispensado ao gênero, enquanto enaltecem a beleza ariana, padronizando e formatando opiniões da própria mulher, brasileira e estrangeira, a respeito de si mesma.
Assim o alto-estima da mulher é jogado à sola dos pés, de forma extremamente hábil pelos meios de comunicação e informação, sem que ela se dê conta desse crime com requinte de perversidade, e pior, pensando que essa "feiura" atribuída a ela por essa mídia criminosa, é de nascença, culpa de seus pais. Ou melhor, de sua mãe... de seu povo.
É lamentável que a mídia, assim como os poderes constituídos, estejam acima da lei; e como consequência disso, nunca respondem por seus crimes; e o mais agravante é que esses crimes passem a ser fatos banais, aceitos de acordo com quem os pratica.
Assim os valores se invertem: agora chamar de "feio", de "macumbeiro" ou de "preto" é coisa normal.
Assim Nossas lindas mulheres deixam de ser sensuais, lindas e maravilhosas para dar lugar ao "padrão globo de qualidade..."Ou seja, se não abdicarem de seus cabelos crespos, de sua cultura ou de sua religião, estarão fadadas ao ostracismo criminoso imposto pela ditadura que exila, tortura e mata seus afros cidadãos...Uma vez que eles já foram pré-julgados sumariamente.
Feliz dias das mulheres...?? Vou perguntar a Maria da Penha...
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