Os desembargadores do Pará
decidiram por "unanimidade" que os empregadores têm o direito de
consultar o cadastro do SPC antes de contratar qualquer empregado.
Bem, primeiramente vejamos
no isso implica: isso pode significar que o pobre, em sua maioria preto (contraditoriamente
conhecidos como minoria), que precise trabalhar, para quiçá tentar saldar sua
dívida junto a seus credores, encontrar-se-á provavelmente impedido de fazê-lo.
Como se o fato de dever fosse determinar do caráter do indivíduo, sem levar em
conta qualquer atenuante, somente o agravante; tendo assim todo o princípio de
razoabilidade previsto em lei, transformado-se em anátema, assim como todos os
princípios constitucionais de nosso país. Ou seja, o indivíduo é julgado e
condenado antes do veredito e do próprio julgamento da coisa. Se esse
julgamento, que abre precedente, for aplicado às próprias instituições públicas;
leis como as de responsabilidade fiscal e responsabilidade social, levarão muitos
de nossos “inocentes” gestores públicos e privados às barras da justiça.
Surge então uma questão que
não quer se calar; qual a função de instituições como os três poderes junto à
população, desde o momento em que ela mostra claramente a quem serve?
Os ministros afirmaram que
esses cadastros são públicos; isso quer dizer que qualquer documento que diga
respeito ao cidadão, torna-se também público; com exceção dos secretos
documentos da ditadura, é claro!! Esses obviamente, que precisamente são de
interesse público, devem continuar a serem selecionados a partir dos interesses
políticos dos grupos que barganham o poder.
Um conhecido filósofo
tupiniquim afirmou que toda unanimidade é burra; eu diria o contrário; que essa
unanimidade especificamente é bastante inteligente; burro é o cidadão que se
cala e aceita passivamente ser conduzido ao oligárquico curral do cotidiano.
Por outro lado, nem tudo é
preocupação neste lindo Brazill varonil... O velório da proprietária da DASLU,
a mestra da evasão fiscal, foi muito concorrido por empresários da estirpe de Abílio
Diniz, por exemplo. Nada de diferente na finada "socialite”; ela fez o que
todo empresário normalmente faz,... Só que, mesmo sendo condenada a 94 anos de
cadeia, conseguiu se safar por uma liminar concedida por um desses
"juízes" (Paulo Maluf deve
estar se mordendo de inveja). Ou seja, ela foi e continua sendo uma
"ídola" dos pobres, inocentes e incautos empresários, que volta e
meia se veem enrolados com algum desses juízes que esporadicamente insistem, de
acordo com a posição da lua, da conjunção dos planetas ou com o nível de sua
conta bancária, em querer fazer "cumprir" a lei.
Sendo assim, jamais
poderíamos afirmar que as leis brazilleiras não funcionam; mais em relação à
justiça, a conversa muda de configuração: ela, a justiça, claramente afirma e
confirma sua posição e sua condição de funcionar de acordo com as condições socioeconômicas
do indivíduo em questão; isso é público e notório. Se alguém ousar contradizer
essa premissa, certamente é um ser que extrapola sua condição de hipócrita,
além de unanimemente inteligente e de levar alguma vantagem nesse sórdido
contexto.
Nosso apartheid é
extremamente funcional, visto ser oficialmente hipócrita, tal como a sociedade
o é: Tornou-se cômodo nada ver, ouvir ou falar, já que a TV outorgou-se do
direito dessas funções inerentes ao
indivíduo e o judiciário de privilegiar abertamente o “cidadão de bens”.
Ações cotidianas e banais
como as que esses desembargadores comumente praticam, não são vista como crime
pela população melanodérmica, que vive enclausurada num estado de exceção e se
encontra em liberdade condicional. Qualquer migalha é aceita como privilégio ou
soa como estar levando vantagem em algo, pois é assim que a TV deixa
transparecer; fazendo do discurso da transparência uma toga protetora aos
descaminhos desses senhores de mentes escravocratas. Tudo naturalmente aceito,
normalizado e normatizado pela TV que tudo vê, e todos veem. Assim caminha a
desumanidade, com ou sem unanimidade.
Após um longo panegírico e
contundente discurso, nossos candidatos políticos se perguntam angelicamente
pelas razões da existência de tantos crimes, e se elegem prometendo acabar com
a violência; tudo muito natural e até emocionante, levando muitos
correligionários as lágrimas e a cobrarem medidas enérgicas contra esses
meliantes que roubam lata de leite (um mau
exemplo para seus próprios filhos) no supermercado do pobre Sr Abílio: um
homem realmente de bens.
E como dizia outro poeta
tupiniquim, esse é um país vai pra frente... Brazill...zill...zilll...zill...!!!
E a caça aos libertos
continua, sendo praticada como esporte radical e oficial e até na rede social, desde
a velha república; mas agora com a novidade de acontecer ao vivo e a cores na
telinha de nossa TV; Há..., não há nada como as tecnologias de informação e
comunicação. Graças a ela nossa revolução nunca será televisionada. Viva la libertá, hasta la vitória siempre...!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário