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domingo, 29 de maio de 2011

A didática pós-moderna e a sistematização do neo-apartheid




Agora qui agenti podemos pegar os peche e tammém os livru; finalmenti nóis podi falá nossa língua di verdade, além da nova ortografia, du purtuguês di Purtugal e da língua formal e informal. A tia qui iscrevel essi livru é mermo çangue bom; ela divia di ganhá o nobréu da paz. Só num intendi purqui’é qui ela qué insiná o qui agenti já sabi...!!!
Passemos agora a linguagem formal; a dominante, certa e “verdadeira” língua do estado brasileiro. Os noticiários fizeram comentários sobre o falecimento de Abdias Nascimento, e o governador do estado do Rio se adiantou a assinar o decreto referente aos 20% de cotas para negros. Assim, pra variar, ele, o governador, conseguiu dividir os holofotes da nota de falecimento fazendo propaganda de sua própria pessoa, tirando proveito da luta de uma vida inteira de mais um negro que lutou em prol da dignidade e dos direitos humanos universais. A reboque desta notícia-propaganda estado também concedeu aos despossuídos o direito de usufruir por um pequeno período de tempo, um espaço público ariano: o bondinho do Pão de Açúcar. A permissão de visitação foi liberada mediante a 50% da taxa cobrada; benefício batizado expetacularmente, com muitas pompas, pelo sugestivo nome de projeto carioquinha. Não é preciso dizer que a felicidade dos despossuídos ficou patente devido ao grande numero de negros e pobres; necessariamente nessa ordem visto a sinonímia dos termos, presentes nesse espaço.
Assim, inteligentemente a argúcia do apartheid só pode ser percebida pela TV, lá no passado distante, no presente da África do Sul. Em nosso país, além da propaganda de inexistência do preconceito lingüístico, não existem quaisquer outros tipo de preconceito; afinal vivemos num paraíso de democracia racial, religiosa, de gênero e correlatos. O fato, passado despercebido, dos indígenas conseguirem a demarcação de seus territórios e a não garantia de autonomia sobre os mesmos é só um mero detalhe sem importância; e o fato dos quilombolas até hoje tentarem uma cota de suas próprias terras, além de uma porcentagem de dignidade, como desejava Abdias, é mais um prosaico detalhe não é caracterizado pela mídia como um fato típico de um país que vive em estado de exceção: Um país onde os poderosos fazem o que bem entendem e os fracos sofrem o que é necessário.
O livro da nova literatura citado no caput desse texto, ilustra com maestria a identidade de nossa pseudodemocracia, pois coloca cada macaco no seu galho, cada qual em seu quadrado nessa sociedade desintegrada e esfacelada pelas oligarquias escudeiras do capitalismo; numa geografia onde o todo sem a parte não é todo, a parte sem o todo não é parte, mas se a parte o faz todo, sendo parte, não se diga que é parte, sendo todo.[1]
Assim é o exercício da cidadania nessa política do neo-apartheid, implantada pelas oligarquias através do estado, que desfigura a nação e a identidade do indivíduo.  Dividir para governar; política tão velha quanto à invenção do capitalismo, que se tornou eficiente por ser um instrumento político largamente utilizado pelo sistema educacional: a hipocrisia. Instrumento esse que vai além dos discursos registrados na mídia; já constam agora renovados nos modernos livros didáticos: é realmente um fato sem precedentes; é a primeira vez que o cinismo é registrado em livro didático sem a necessidade de se passar por inocente.


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Caminhos da Memória


Desde o homem sapiens sapiens[1] até a antiguidade, a palavra foi usada como fonte de energia criadora do mundo, de realidades e verdades. Eles tinham na escrita, que se dedicava ao registro e capturam fragmentos ocorridos no espaço-tempo cronologizado pelo mercado, apenas uma pálida fotografia do saber e não o saber em si.
Com o terceiro advento da globalização, conseqüência do capetalismo[2], ela traz em seu bojo a enculturação[3] do paradigma da imagem em alta velocidade como determinante histórico do pós-modernismo. Essa nova sociedade imagética transforma gradativa e progressivamente este indivíduo, de forma Dawinistica.
As sinapses, que revitalizam as células cerebrais fazendo com que nasçam novas centenas diariamente, que substituirão as que se degradam, agora nascem em números insuficientes para suprir esse processo. Visto que o trabalhar com virtual e o assistir TV, têm substituído o processo de produção de sinapses, outrora realizadas pelo cérebro.
Isso faz com que os pedagogos possam compreender o motivo pelo qual um educando se gabe de ter a capacidade de teclar, assistir TV e ouvir música no celular simultaneamente, além de encarar o livro como um elemento extraterrestre e a produção textual como uma forma alienígena de comunicação. Mesmo sendo a literatura uma disciplina, de certo modo, exótica; ela não suscita nenhum questionamento, nenhuma indagação nem interesse por parte do educando.
O individualismo e o egoísmo, como moto-perpétuo do capitalismo, reduziram o indivíduo; circunscrito a si mesmo, ele definha seu pensar e sua persona, fragmentando seu todo; ser coletivo e social, e paradoxalmente buscando por referências e pertencimento. Sua personalidade, em pleno labirinto transfigurou-se numa colcha de retalhos; difusa, entremeadas pela ausência de links e conexões. O cérebro, invadido por milhares de imagens velozes, não têm a oportunidade nem possibilidade de formular quaisquer sinapses que seja. Assim os contos, mitos e fábulas passam a fazer parte de um mundo distante e inalcançável, como as conversas ao redor da mesa de jantar com as vovós e os vovôs; com a família. Agora conversamos pelo computador e falamos com a TV que nem ao menos nos vê.
A vez da fala fica com a TV, enquanto a palavra se dilui com a escrita, que perde sua profundidade, entrelinhas e subtexto, deixando a mensagem soçobrar nas bordas da superfície dessa mesma escrita. Assim a história se perde em suas próprias entrelinhas escrita na memória da enculturação, enquanto a história de vida do indivíduo se embaraça em si mesma esquecendo-se de acontecer, de se realizar, de tornar-se real pela palavra criadora.
Fotografamos no virtual nossa realidade, onde um simples vírus possa vir a destruir, onde qualquer haker possa vir a se apropriar. Assim nossa vida vira cena de quinze minutos de fama num protagonismo ausente de autonomia. Nosso heroísmo virtual se torna resiliente na telinha da TV enquanto a letra morta da escrita deleta o poder da palavra do indivíduo que não vê o que gosta, mas gosta do que vê; não chegando jamais ao status de sujeito, emancipado e protagonista da própria história de vida.



[1] O homem que sabe que sabe.
[2] Grafia do profeta Gentileza.
[3] Influência da sociedade sobre o indivíduo.

terça-feira, 17 de maio de 2011

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segunda-feira, 16 de maio de 2011

De Jesus Negão a “Barack Osama”


Jesus, como era público e notório, nunca escreveu nada, não professou nenhuma religião, vivia em festas  com a ralé e abalando a lei e a ordem romana.O cristianismo, assim como o judaísmo e o islamismo foi divulgado para o mundo a partir do norte da África, não é por acaso que justamente na África estejam a maioria dos adeptos do islamismo no mundo.  Também não é por acaso que Negros e Mulçumanos sejam considerados dejetos humanos pela sociedade contemporânea. A história humana foi construída com base nesse paradigma, casando perfeitamente o advento do capitalismo com a ideologia hipócrita pós-moderna como elementos necessários para se dizimar uma sociedade, principalmente quando se reescrever a história dessa mesma sociedade.O Negro e o Árabe, legitimados pela reconstrução dessa história como persona nom grata, dificilmente serão integrado à sociedade globalizada, visto que na cartilha do sistema capitalista, reza no capítulo das exigências das relações de poder, a necessidade do explorador produzir explorados; mas nada é assinalado a respeito da manutenção desses mesmos explorados. Portanto qualquer discurso sobre responsabilidade social, certamente virá desacoplado de toda e qualquer responsabilidade moral. No manifesto capitalista sabemos que uma mentira dá uma volta ao mundo antes mesmo de que da verdade tenha a oportunidade de se vestir. Na década de trinta o povo Herero, na África Germânica, foi exterminado: homens, mulheres, crianças e idosos; todos assassinados; os que sobreviveram ao massacre serviram de experimentos “científicos” em campos de concentração alemães, dando inicio assim a doutrina racista dos nazistas. O mundo se calou diante desses campos melanodérmicos, como agora se cala diante dos campos de concentração norte-americanos que torturam e assassinam indivíduos da etnia Árabe, tal como no campo de Guantánamo, em Cuba.Um Negro assassinado pela polícia no Rio ou em São Paulo, é tão natural quanto um Árabe ser fuzilado por norte-americanos em qualquer esquina européia do oriente médio; Lamentavelmente o mundo aplaude de pé, euforicamente, eventos como esse. Do casamento da nobreza real inglesa à morte de Osama Bin Laden, podemos constatar, sem a mínima sombra de dúvida, que nossa sociedade tem os sintomas de um doente terminal. Os norte-americanos são uma espécie de BOPE globalizado; entram nas “favelas” do mundo para assassinar somente; como mandatários justamente dos produtores dessas mesmas favelas: Wall Street. A questão é: como exterminar, o que eles determinam ser do “mal”, se eles mesmos continuam a produzir e a reproduzir continuamente esse mesmo “mal”? Devemos dar um novo nome, não o de covardia, a este insidioso ato de nobreza caucasiana. A declaração de Barack Osama afirmando ser o mundo um lugar melhor após a morte de Obama Bin Laden, deveria no mínimo, causar estranheza. Mas as raias da hipocrisia chegou ao seu ponto máximo, instituindo a “vista grossa” como princípio humano imprescindível a sobrevivência do indivíduo caucasiano, ironicamente legitimada por um Negro de ascendência Árabe. Barack Osama agora reina absoluto no monopólio da tortura e da morte, com as bênçãos de seus súditos e da rainha do castelo de Buckingham.Jesus morreu na cruz, "negões" morrem em Blitz em qualquer esquina carioca de São Paulo e Bin Laden botou as barbas de molho tornando-se um símbolo para o povo do “mal”, como afirma a mídia, produtora de heróis de ocasião e de eternos vilões. Enquanto nós, sociedade anônima, “batemos palmas para maluco dançar”. Isso é o que o sistema capitalista intitula de liberdade democrática ocidental dos povos judaico-cristãos; viva a diferença, viva o multiculturalismo, viva a euforia da indiferença com o diferente, o muro protetor de cada dia que separa o morro de “nosso” asfalto: agora só falta realizar o tombamento de uma cruz junto a um pelourinho como patrimônio da humanidade, bem em frente aos portões de Guantánamo, como símbolo máximo dessa liberdade democrática que tanto prezamos, a preço de sangue de povos, considerados por alguns, bárbaros. Nossa justiça romana, que justifica toda e qualquer carnificina, se pronuncia como de costume, num sepulcral silêncio cego; diante deste triste cenário de falência ético-moral e da ascensão da hipocrisia como princípio do homo sapiens sapiens[1]. Se bem sabemos, Jesus estava bem longe do estereótipo dos olhos azuis e madeixas escorridas soltas ao vento do comercial de shampoo, do horário nobre da nossa TV de cada dia. Se ele, o Cristo, fosse nosso contemporâneo Osama Bin Laden certamente estaria vivo, pois fatalmente Jesus, confundido com terrorista seria levado em seu lugar, visto que hoje, qualquer um que pareça ou lembre etnias circunscritas ao oriente médio, é um homem bomba em potencial, assim como é certo um Negro morrer preto ao vivo e a cores no noticiário das sete. Jesus certamente seria sacrificado com um tiro na cabeça a caminho de Guantánamo, constando nos autos a resistência do meliante como motivador de seu lamentável desenlace. O povo faria festa nas ruas; a rainha dormiria feliz; a Duquesa continuaria a esperar com ansiedade pueril seu título de princesa, enquanto o corpo do meliante sumiria junto com os brios dessa sociedade obscena.
[1] Homem que sabe que sabe.