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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Cotidiano

Agora a cidade dorme, e o sonho acorda o super-herói para dormir sua vida cansada de esperança; Mal-me-quer, bem-me-quer, mal-me-quer..., Bem...zzz..Me...zzz...queezzz...zzzzzz...!!! Em Brasília 19 horas...!!! Plim,plim..!! Ordem e progresso..!!Brazil, zil, zil, zil...200 milhões em ação, pra frente Brazil, salve a seleção...!!Beba coca-cola!! É gooooooolll..!!! Lá em cima daquele morro passa boi passa boiada...Funk Brazzil..zzzil...zzzzil...zill..zzziillll..zzz...trararara...traa...trarara...Nosso herói já acordar se desviando de balas perdidas, vive azul de fome, sem dinheiro nem pr’um cafezinho, menos ainda para pagar a passagem de ônibus para chegar ao “trampo”. O infeliz, chega em casa e vê na TV a velha novidade de que outra vez, de novo, novamente os deputados, que só vão ao trabalho quando é para votar o próprio aumento salarial, como sempre aumentaram seus dividendos em modestos 500%. O “herói” assistindo a tal novidade fica vermelho de raiva; só ele paga impostos, só ele paga suas contas, só ele cumpre a famigerada responsabilidade fiscal e só ele sofre arrocho salarial. Nosso herói, quando liga a TV fica branco ante as notícias de reformas, reuniões do COPOM, atos secretos, decretos e reedição de medidas provisórias, que de provisória só tem o nome. Como se tudo isso não bastasse, na subida do morro sempre encontra com uns pêemes que lhe deixam roxo de pancadas, só para lembrar que ele não passa de um negro qualquer. Nessas horas o verde da esperança só se faz presente na bandeira brazilleira, pois nem na rezadeira nosso herói consegue deixar de sorrir amarelo. Para ele o tempo se faz sempre cinza-escuro. Quando não está meio lusco-fusco ou cor-de-burro-quando-foge. Mas, ele espera um dia espalhar as cinzas da desgraça, regatando o verde da esperança, trazendo de volta o vermelho fogo da paixão. Mesmo sendo preto, atingir o alvo “branco” da paz. Só assim vai ficar tudo azul, reluzindo o amarelo-ouro do fastio. No momento sua memória deu um branco e ele vive num permanente blecaute, pois o arco-íris esvaeceu-se à sua frente até o completo delir, junto à tempestade invernal. Tá tudo escuro, claro mesmo só o irracional e irascível racismo. O pote do amarelo-ouro, transforma-se em relógio-despertador, que berra alto em seus tímpanos anunciando a hora de ir trabalhar.
Tá na hora e nosso herói, um “escravo de Jó”, tem que “trampar”. A vida de pintor de placas de sinais de trânsito não é nada fácil. Mas não é qualquer sinal, semáforo, sinaleira ou farol que o impedirá de tocar seu “Show de realidade”. Na vida desse heroi cara-pintada (de palhaço), tudo acontece ao vivo e a cores, mesmo que seja em cores – mortas. Afinal, este boa-pinta é brasileiro..., Ele não “resiste” nunca, além do mais, sua pintura de guerra já não causa mais tanto frisson. Só lhe resta o vermelho da vergonha na face, que lhe desvanece o semblante, sangrando a existência na agonia da vida. Quanto a mim, um crioulo de cara preta, sigo a palo seco pela aridez do lotado deserto urbano, este nosso meio-ambiente morto e enterrado pelo egocentrismo antropofágico desumano dos humanos. Não é preciso estar no mundo da lua para notar que a terra azul se transformou num mar vermelho, sem trilha nem caminho de retorno para escapar do abismo de si mesmo. Nem as lágrimas de arrependimento misturadas as de crocodilos fazem cessar o brotar de vidas secas, regadas pela sede de viver fora desse jardim de fosseis urbanos; esse Oásis de pensamentos jurássicos que a muito extinguiu a sana da chama terna da vida de cidade grande. Agora a aridez das emoções faz brotar espinhos nos músculos anabolizados de Cupido, fazendo os yuppes saírem das cavernas pútridas da modernidade virtual para a crueldade do mundo real, desmascarados e completamente nus.
Peles negras, brancas, amarelas e vermelhas ressequidas de afetos, transformadas em fosseis, são mortas pela vida e ressuscitadas para a morte através do sangue azul e vermelho centrifugados pelo ranger de dentes, e solidificados pela palavra cuspida nas faces embrutecidas pela agonia egocêntrica, dando o tom cinzento do crepúsculo da zona sul a zona norte.
O sal do Sugar Loaf arde na boca do Redentor de pedra que num esforço supremo, como o abutre de Prometeu, se desgarra de seu pedestal lançando-se sobre os fósseis humanos no afã de abraçá-los uma última vez, arrancando-lhes seu sangue e quebrando os ossos, enquanto lhes trituram as carnes num sinal derradeiro de afago e afeto.
“Foi o Rio que passou na minha vida, e meu coração se deixou levar...” Assim mais um cogumelo atômico é servido à Via Láctea, nossa Via de mão dupla transversal. Hiroshima é aqui, Nagasak é ali, quanto ao Hawai e o Haiti...Não sei, morri...Sentindo o baque d’uma bala nas costas, enquanto olhava um carro alegórico atravessando a Sapucaí!!! Enquanto eu me acabava, a guerra começava... booommm!!!
Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça... É essa historinha escrita na pedra da praça, na lápide de mais um herói desconhecido, sobre o envelhecido monumento dos pracinhas!!! Foi assim que, finalmente um herói decidiu acordar para livrar-nos da opressão dos poderosos. Surge então o maior de todos os heróis: não é o super-Mam, menos ainda o chapolim colorado, nem mesmo Charlie Chaplin. Estamos falando de um herói que reúne a força de todas as crenças, verdades verdadeiras e falsas, além de todos os dogmas e paradigmas. Calculista como batmam, frio como o homem de gelo, nervos de aço como qualquer super, além de carregar as forças sagradas de sansão em seus longos dreads loaks. O mais importante de tudo isso, é o que faz dele um ser mais diferente que os diferentes: ele não tem medo do escuro; já que esteve no escuro e também é escuro. Ou melhor, ele é preto, é negão, um verdadeiro tição. Sim, é dele que estamos falando; do Superstição. O maior super-herói negro de todos os tempos; tão poderoso que consegue supera até mesmo a kliptonita branca, com seu super fashion dread loaks.
Ele não usa máscara, justamente para não ser reconhecido. A combinação da brancura de seus dentes com a escuridão de sua pele provocam reações inusitadas e controversas; quando esse ser entra numa loja de um shopping qualquer, todas as câmeras seguem seus passos; também pelas ruas, esquinas, avenidas, bancos, ônibus, e supermercados. Além de todos os vendedores, gerentes e até mesmos clientes lhes dispensarem especial atenção, enquanto seguram com firmeza suas bolsa e carteiras. Quando ele sai às ruas, os olhares de transeuntes, de seguranças e de policiais cravam em suas costas como lanças pontiagudas a penetrar-lhe as entranhas. É a mesma coisa em seu trabalho, com seus vizinhos e alguns poucos amigos. Mas seus Dread’s têm resistido bravamente, provando sua força e provocando outras forças. Todos os dias ele prova pra si e para o mundo sua competência e criatividade; todos os dias ele renasce do salário mínimo, todos os dias ele acorda para despertar seu sonho adormecido; todos os dias ele derrota seus pesadelos à luz do dia-a-dia. Os santos arianos católicos afirmam em suas bulas, que seres negros não têm alma, portando deus permite que os mesmos sejam escravos. Todo o mundo já aceitou e incorporou essa verdade, menos o Superstição, que continua sua luta inglória e solitária pra provar que existe e tem alma; Seja no Rio, No Brasil ou no Mundo, mesmo sendo um herói estrangeiro em sua própria casa, mesmo nascido do preto e do branco, mesmo sendo a síntese mestiça do mundo.
Pelo menos agora com todas as câmeras em seu encalço, ele tem a oportunidade de aparecer no paredão das lamentações da vida e não ser apenas mais um reles herói desconhecido. Como a macaquinha chita, coadjuvante de Tarzan junto à loira Jane, ele consegue ter seus quinze minutos de fama efêmera, justificando assim seu respeitável nome: Superstição.
Ele, um supersticioso incurável, acredita na vida, num mundo melhor, na liberdade, fraternidade e igualdade. Acredita até mesmo no direito à vida, a expressão e em poder ir e vir quando bem lhe convier. Um simplório e prosaico herói protagonista de uma cruel tragédia tupiniquim: Wall Street lhe ordena que corra, mas como um Saci ele só consegue capengar; Wall Street lhe promete saúde, mas como o Saci ele não larga seu cachimbo (de crak). Wall Street lhe cobra que pense, mas como o saci ele é apenas mais um traquina, sendo apenas mais uma mula sem cabeça.
Quando pensa, ele só consegue imaginar como fazer para conseguir o próximo almoço, lanche ou jantar. Quando corre, é porque tem um bando de policiais e/ou salteadores e cobradores a lhe acossar. Sua figura esbelta e esguia se deve a ausência de nutrientes e aos constantes exercícios de fuga do poder “constituído”.
Sua casa é a mata Atlântica; cidade-favela mad in Rio. Sua cama é feita de asfalto, seu teto é de estrelas e seu toalete é o bueiro de qualquer esquina escura ou clara, feito às claras.
Do alto de sua luxuosa torre gêmea, Mister gringo o embaixador, classifica nosso herói de bárbaro, de rato de esgoto, uma figura escatológica que precisa ser banida da sociedade. Mesmo já estando banido de seu lar, sendo violentado e execrado em todos os sentidos, nosso herói ainda sorri ante as câmeras de segurança e de turistas; um sorriso negro, um sorriso amarelo, sorriso de clown frente a sorrisos de crocodilo ante repasto.
O Rio é puro sorriso, constituídos de gente boa, gente linda e que vive feliz, com balas perdidas, estupros, assaltos e morte ao vivo e a cores. Por isso viva o Rio, vamos nos divertir e aparecer nas próximas passeatas pela paz, contra a violência, pela vida, pelo meio-ambiente, etc, etc e etc. No Rio o bom de viver ao vivo é morrer on-line; é a modernidade contemporânea do século 21 chegando a selva urbana tupiniquim, através das moderníssimas câmaras de gás tecnológicas chamadas de máquinas globalizatórias; cortesia dos hitlerianos administradores do mundo pós-moderno. Afinal essas arcaicas figuras folclóricas, de tão ultrapassadas fizeram com que as superstições ficassem totalmente démodé; é a vida, é a evolução, é o progresso e contra a ordem e o progresso não há Superstição que resista! Será!!?? Preparem as câmeras, assistam o paredão e votem na onda que provocar o maior e mais engraçado caixote. Afinal, sem platéia não existe espetáculo e já que a vida é um palco...!!! Ser platéia ou protagonista é uma questão simples de escolhas complexas! De máscaras ou desnudo, de preto ou de branco, de tudo isso ou nada disso, sendo ou não sendo. Localize-se em seu espaço, descobrindo seu mundo, explorando sua geografia encefálica cinzenta e coronariana, fazendo sua trilha entre as delicadas minas explosivas no terreno da vida morta em que se tornou esta maravilhosa cidade-sepulcro; tumbeiro de heróis.
Resta agora um olhar perdido no horizonte a procura de algo desvairado no próprio ser: sua esperança. Esperança em algo abstrato, inexistente, que se revela metamorfoseada como os Jardins de Tântalo , do Edem, como Utopia, Nova Atlântida, Shangri-lá ou a terra do Nunca. Agora tais mundos se tornaram os principais orbes do nosso sistema planetário encefálico. Nele a lua cheia de mel, temperada com açúcar de fel, se tornou o centro.
Esses planetas são formados de matérias importadas, ancestrais, diferentes do material tácito e orgânico formador do seu núcleo. Portanto seu invólucro mascara sua real composição e essa mesma escaramuça denuncia a barreira virtual que envolve seu núcleo vital, quando aponta uma órbita circunscrita a si mesmo; caminho que leva ao eterno retorno. Enquanto o núcleo latente jaz adormecido - submerso em sonhos de vida, esses planetas anões estão completos de si por fora, sendo micro-gigantes por dentro.
São mundos excepcionais embotados por suas próprias sombras, acreditando numa Deusa chamada Esperança: Deusa que rege o futuro; protetora da vida como ela é: fria como o próprio espaço, distante como as galáxias, vazia como o vácuo e virtual como a própria Deusa.
São mundos de órbitas fixadas na mutação de devires pré-fixados por créditos, que são valorados de acordo com o pregão da vida.
A Deusa Esperança capitaneia a Nau Capitania , pirateando o espaço vital do coração dos Jardins de Tântalo. Deusa Esperança: protetora dos ladrões, suprindo-os com maestria durante suas fraudulentas vidas quando implanta no coração de suas vítimas um renovado porvir. A Deusa os cria e os alimenta num ciclo ad infinitum nos vastos campos planetários, fertilizados pelos insanos raios lunares. A sementeira da Esperança fornece suprimentos perpétuos para salteadores e vigaristas da pior espécie, ela é a Deusa irmã da loucura e prima do sono profundo, senhora dos fracos e dos oprimidos, dona do coração dos tolos. Subjuga os pais, os amantes, os sonhadores e todos aqueles que acreditam sem buscar. Como tarântula, Tântalo os envolve em sua teia, enquanto a Esperança assiste a primavera se definhar e suas forças se exaurirem encarcerando a razão. Assim ela festeja com Nigreton Hypnos sua vitoriosa supremacia junto a sua corte; os emotivos e os espectadores.
Das pedras do Arpoador se vislumbra lá no espaço, o pontinho luminoso da inalcançável Esperança, reflete nos olhos da platéia distante, noturnamente melancólica. O desenvolvimento humano, com toda sua evolução tecnológica, ainda não criou um meio de transportar o homem à terra firme, afim de finalmente fazer com que ponha os pés no chão. Assim ele continua como platéia – com cara de paisagem, assistindo o futuro passar ao largo, como folha de outono jogada ao léu pelo mesmo vento norte que acende as velas da razão.

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