Há momentos que se tornam
imprescindível fazer-se a obrigatória leitura do livro da natureza, para que
possamos receber as lições de cada dia no presente do agora. Dessa
maneira, perceberemos nos prolegómenos apresentado por quaisquer árvores encontradas
no caminho, a necessidade de se buscar pela nossa consciência como único guia,
já que estas mesmas árvores estão sempre a afirmar, reafirmar e confirmar que
só é possível crescer holisticamente. Ou seja, ela, a árvore, não cresce só
para cima, em direção ao sol, mas também para baixo, já que suas raízes
precisam buscar as profundezas de Gaia a fim de também alimentar-se para além
da fotossíntese; só assim o seu crescimento acontece. Dessa forma, ela nos
ensina a importância de não só ver o que está exterior, mas também o que está
no interior, afirmando que nem tudo é o que aparenta ser, inferindo dessa
maneira que, o que está dentro é também está fora e vice-versa; e o que está em
cima, também está em baixo. Dessa maneira é possível perceber que não
vemos as coisas como elas são, mas sim, como nós somos.
Só será possível assimilar
plenamente essa lição quando peremptoriamente cognizarmos que somos um com a
natureza, já que somos parte de um todo, parte de uma mônada. Apesar dos nossos
ouvidos serem constituídos por um consciente coletivo que os colocam na
condição de moucos ou momentaneamente deficientes fazendo com que ouçamos
sem que haja uma escuta, da mesma forma como Gaia se movimenta, a natureza está
em permanente dialogia com as suas partes. É dessa maneira que os capítulos da
vida podem seguir como o fluxo da água, flutuar na leveza do ar ou se aterrar nas
profundezas dos inexplicáveis mistérios de Gaia.
Dessa forma, podemos afirmar que,
quem não se detém para ler a natureza, certamente também não terá o que
escrever sobre si mesmo, já que a inspiração fugirá de seu coração; e cada ser,
tem como missão primeira, escrever o seu próprio livro da vida. Esse livro
poderia ser uma epopeia repleta de poesias, um épico ou contos variados de
variedades variantes. Poderia até mesmo ser um best seller ou uma obra-prima,
desde que seja uma escrita junta realizada de forma conjunta.
Cada uma das folhas de papel que
compõe esse livro da vida, tem sua gênese no fogo do sacrifício vivido por
uma árvore, que nos revela, num generoso ato último que, o sentido da
vida está justamente em reconhecer a morte como sua xifópaga. É dessa maneira
que a natureza transforma, ao se transformar nesse ascendente redemoinho
de ciclos fractais, como uma cascata que jorra de sua nascente, formando assim,
aquele perene rio que nunca está pronto.
A exemplo das imponentes e plácidas
montanhas que se elevam no azimute, devemos ser a testemunha de cada um de
nossos pensamentos, sentimentos ou emoções de cada agora, a fim de alçar voo
sobre quaisquer reações a cada ação praticada ou ainda por se praticar, para
que esse livro não seja um mero palimpsesto subscrito por uma refazenda cultural.
Desse modo, nosso diálogo com a
natureza deve sempre se dar através da estrondosa voz do silêncio, pois este a
única voz que preenche qualquer vazio, para que possamos enfim, poder receber o
presente que o Tempo nos oferta em cada agora na escola da vida.
