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quarta-feira, 15 de maio de 2019

Núcleo de Estudos Afro-africanos do Instituto de Educação Clélia Nanci

Nós, do Núcleo de Estudos Afro-Africanos do Instituto de Educação Clélia Nanci, que é uma escola de tradição no Município de São Gonçalo, Rio de janeiro; viemos aqui falar da alegria em fazer parte dessa escola que atualmente é administrada por uma gestão democrática que preza pela diversidade. Por ser essa mesma escola, uma escola aonde aparentemente não existe a praga virótica da prática do racismo; mas no entanto, pelo fato da prática do racismo no Brasil ser um crime sem criminoso, vamos aqui  atentar para um pequeno detalhe: 

Apesar dessa escola invariavelmente sempre ter resistido a negritude, não permitindo que aconteça, até o presente momento, nenhuma das atividades previstas no plano do curso dos professores, ao intervir, de diversas formas pedagógicas sub-reptícias, em suas aulas, minando as vivências relativas a cultura negra, salvo uma vez ao ano, por volta das comemorações do espetacular 20 de novembro, quando a panfletagem e a propaganda da diversidade e da inclusão é permitida dentro dos moldes, jargões e chavões recorrentes; fora isso, essa é uma escola que não é racista.

Apesar dessa escola sempre ter tentado impedir, com relativo sucesso, as realizações dos trabalhos de campo relativas a lei 10.639 ou 11.645; que trata da cultura afro-brasileira, africana e indígena; fora isso, não é uma escola racista. Mesmo apesar dessa escola ter trocado o nome da prática do racismo pelo internacionalizado e fashion nome de bullyng;  fora isso, esta não é uma escola racista.

Digo isso por experiência própria, pois falo como professor dessa Unidade de Ensino que há mais de vinte anos tem se recusado a usar os livros didáticos eurocentrizados imposto pelos governos, em respeito aos mais de 80% dos discentes e profissionais de educação negros que aqui estão desempenhando sua função, iniciando para isso, o Projeto intitulado de “Portal da Consciência”; projeto este que foi encampado e controlado pela direção da escola. Fora isso, não é uma escola racista.

Portanto, com toda a certeza, essa escola, como a maioria das escolas do Rio de Janeiro, jamais poderia ser uma escola racista. Mesmo que só ela fale e conheça bastante sobre o renascimento europeu, a mitologia greco-romana, além de homenagear a princesa Isabel e a família Orleans e Bragança, a rainha Vitória, até mesmo Rainha Elizabeth, sem mencionar todas as princesas da Disney que existiram desde antes da falsa abolição até o casamento da realeza europeia que exaustivamente é propagada dos livros didáticos ao Jornal Nacional, e que os atores desse processo não façam a mínima ideia de quem tenha sido a rainha N’zinga em todo o seu contexto histórico na saga da construção do novo mundo.

É por isso que eu tenho orgulho de aqui ainda estar, mesmo que o Projeto Político Pedagógico da escola, que fora encaminhado há mais de quinze anos atrás até a presente gestão, não tenha saído do marco referencial, justamente por conta de suas fortes e gritantes referências negras, que seria difícil disfarçar um sincero cinismo ao ignorá-las na confecção do referido projeto. Projeto este que possibilitaria o Instituto de Educação fosse um lugar aonde o respeito ao outro e a boa vontade, certamente iria sobrepujar toda essa burocracia que nos chega em forma de autorizações e ofícios, legitimadas por estatutos e regras emanadas da plutocracia oficial como ordens-do-dia.

Esse Instituto tradicional, que traz o nome de uma família tradicional oriunda do regime escravocrata gonçalense, traz também a necropofágica democracia vinda a reboque da matrix engendrada por um governo reptiliano, revelando a que veio, quando contraditoriamente, traz a didática manifesta pela passagem que anuncia a separação do joio e do trigo como a real lição de cada dia que nos dói hoje.

Ainda bem que esta escola é inclusiva e preza pela diversidade; fora isso, não é uma escola racista. Por isso, eu digo e repito: Não há nada como uma gestão verdadeiramente democrática e que mantém a tradição acima de todos, e a ordem e o progresso acima de tudo. 

Por esse motivo o Núcleo de Estudos Afro-Africanos do Instituto de Educação Clélia Nanci, há mais de 10 anos, tem funcionado somente na rede virtual, além das realizações de palestras, vivências e seminários; já que efetivamente as redes sociais é um espaço único de comunicação, aonde não fomos ainda totalmente bloqueados por conta de trazer as verdades que expõe o lado Escuro da Supremacia egocêntrica escravagista exigindo uma ação Reparadora através do lado Negro da Força.

Luz, Paz e Prosperidade...!!


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