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sábado, 25 de maio de 2019

Pequena África Carioca: O Memorial Vivo da Diáspora Africana

Quem estiver com boa disposição para uma incrível caminhada repleta de histórias e conhecimentos, é só vir nos fazer companhia pelas ruas da Pequena África, nosso Território Histórico no Rio de Janeiro; que em breve, será transformado no Memorial Vivo da Diáspora Africana no Brasil.

Nossa Aventura se inicia no largo de Santa Rita, local aonde havia um pelourinho, mas antes disso, era um cemitério de pretos escravizados insepultos, já que os mesmos eram jogados a flor da terra, sem necessariamente serem sepultados. Também havia uma bica neste mesmo local, durante um período em que os escravizados iam buscar a água que abasteciam a sede e o sedentarismo da supremacia escravagista. 

Em frente a este largo, está hoje a rua conhecida como Beco da sardinha, obviamente devido aos vários bares que costuma servir esse delicioso petisco, lugar de onde também se pode ver a prisão do Aljube, hoje, rua Major Daimom. Esta rua dá acesso ao Morro da Conceição, que abriga a igreja da N. S. Conceição, além do Serviço Geográfico do Ministério da guerra, no alto do morro, está também o monumento em homenagem a N. S. da Conceição, uma escultura rodeada por plantas que fazem parte da história religiosa da negritude; sem falar na rua jogo de bola e da casa onde João Cândido planejou abalar a arrogante República escravocrata tupiniquim. Foi nas ruas desse mesmo morro, pavimentadas com pedras pé-de-moleque, que se originaram os botequins e a bocha.

Ainda lá de cima, podemos avistar o Armazém projetado pelo honrado engenheiro abolicionista André Rebouças, além de também avistarmos a Pedra do Sal, espaço geográfico aonde se originou o formato atual dos desfiles das escolas de samba, sem esquecer dos negros trabalhadores da Estiva ou dos Mercados de escravos ou casas de engorda. Olhando ainda lá de cima, através dos jardins suspenso do Valongo, avistamos a rua de onde se originou o Candomblé, e as ruas por onde passaram acorrentados os escravizados malês, sendo deportados do Brasil, após a revolta em 1838, aqui no Rio de Janeiro.

Após descermos pelo Jardins suspensos do Valongo, nossos passos seguem pelo chão do Cais aonde nossos antepassados pisaram ao chegarem sequestrados, em consequência do crime legalizado pelo santo Papa, seguindo até a Praça da Harmonia, local aonde somente um capoeirista carioca mobilizou as forças militares de todo o Brasil para enfrentá-lo; para finalmente, concluir nosso Tour, nas dependências do Instituto Pretos Novos. Esse passeio em prol da saúde mental coletiva, será também um bálsamo profilático na Memória do Brasil que se cura da amnésia sociocultural, introjetado pela educação colonial jesuítica de outrora.
A hora é essa, vamos desfiar esse novela da história, porque a nossa realidade não é virtual; Reparação já...!!






quarta-feira, 15 de maio de 2019

Núcleo de Estudos Afro-africanos do Instituto de Educação Clélia Nanci

Nós, do Núcleo de Estudos Afro-Africanos do Instituto de Educação Clélia Nanci, que é uma escola de tradição no Município de São Gonçalo, Rio de janeiro; viemos aqui falar da alegria em fazer parte dessa escola que atualmente é administrada por uma gestão democrática que preza pela diversidade. Por ser essa mesma escola, uma escola aonde aparentemente não existe a praga virótica da prática do racismo; mas no entanto, pelo fato da prática do racismo no Brasil ser um crime sem criminoso, vamos aqui  atentar para um pequeno detalhe: 

Apesar dessa escola invariavelmente sempre ter resistido a negritude, não permitindo que aconteça, até o presente momento, nenhuma das atividades previstas no plano do curso dos professores, ao intervir, de diversas formas pedagógicas sub-reptícias, em suas aulas, minando as vivências relativas a cultura negra, salvo uma vez ao ano, por volta das comemorações do espetacular 20 de novembro, quando a panfletagem e a propaganda da diversidade e da inclusão é permitida dentro dos moldes, jargões e chavões recorrentes; fora isso, essa é uma escola que não é racista.

Apesar dessa escola sempre ter tentado impedir, com relativo sucesso, as realizações dos trabalhos de campo relativas a lei 10.639 ou 11.645; que trata da cultura afro-brasileira, africana e indígena; fora isso, não é uma escola racista. Mesmo apesar dessa escola ter trocado o nome da prática do racismo pelo internacionalizado e fashion nome de bullyng;  fora isso, esta não é uma escola racista.

Digo isso por experiência própria, pois falo como professor dessa Unidade de Ensino que há mais de vinte anos tem se recusado a usar os livros didáticos eurocentrizados imposto pelos governos, em respeito aos mais de 80% dos discentes e profissionais de educação negros que aqui estão desempenhando sua função, iniciando para isso, o Projeto intitulado de “Portal da Consciência”; projeto este que foi encampado e controlado pela direção da escola. Fora isso, não é uma escola racista.

Portanto, com toda a certeza, essa escola, como a maioria das escolas do Rio de Janeiro, jamais poderia ser uma escola racista. Mesmo que só ela fale e conheça bastante sobre o renascimento europeu, a mitologia greco-romana, além de homenagear a princesa Isabel e a família Orleans e Bragança, a rainha Vitória, até mesmo Rainha Elizabeth, sem mencionar todas as princesas da Disney que existiram desde antes da falsa abolição até o casamento da realeza europeia que exaustivamente é propagada dos livros didáticos ao Jornal Nacional, e que os atores desse processo não façam a mínima ideia de quem tenha sido a rainha N’zinga em todo o seu contexto histórico na saga da construção do novo mundo.

É por isso que eu tenho orgulho de aqui ainda estar, mesmo que o Projeto Político Pedagógico da escola, que fora encaminhado há mais de quinze anos atrás até a presente gestão, não tenha saído do marco referencial, justamente por conta de suas fortes e gritantes referências negras, que seria difícil disfarçar um sincero cinismo ao ignorá-las na confecção do referido projeto. Projeto este que possibilitaria o Instituto de Educação fosse um lugar aonde o respeito ao outro e a boa vontade, certamente iria sobrepujar toda essa burocracia que nos chega em forma de autorizações e ofícios, legitimadas por estatutos e regras emanadas da plutocracia oficial como ordens-do-dia.

Esse Instituto tradicional, que traz o nome de uma família tradicional oriunda do regime escravocrata gonçalense, traz também a necropofágica democracia vinda a reboque da matrix engendrada por um governo reptiliano, revelando a que veio, quando contraditoriamente, traz a didática manifesta pela passagem que anuncia a separação do joio e do trigo como a real lição de cada dia que nos dói hoje.

Ainda bem que esta escola é inclusiva e preza pela diversidade; fora isso, não é uma escola racista. Por isso, eu digo e repito: Não há nada como uma gestão verdadeiramente democrática e que mantém a tradição acima de todos, e a ordem e o progresso acima de tudo. 

Por esse motivo o Núcleo de Estudos Afro-Africanos do Instituto de Educação Clélia Nanci, há mais de 10 anos, tem funcionado somente na rede virtual, além das realizações de palestras, vivências e seminários; já que efetivamente as redes sociais é um espaço único de comunicação, aonde não fomos ainda totalmente bloqueados por conta de trazer as verdades que expõe o lado Escuro da Supremacia egocêntrica escravagista exigindo uma ação Reparadora através do lado Negro da Força.

Luz, Paz e Prosperidade...!!


segunda-feira, 6 de maio de 2019

Carta Aberta a Nação Brasileira

Nossas fraternas saudações a todas as irmãs e irmãos, negros brasileiros; saudação aos povos indígenas, e aos imigrantes de todo o mundo, e todos aqueles que partilham de nosso país. Nós da Organização para a Libertação do Povo Negro, nos dirigimos a todos, sem exceção, para falar de um bem maior, que é a liberdade incondicional dos povos que nesta terra habitam.

Gostaríamos de falar a cada um de vocês, sobre essa liberdade incondicional, já que somos o motivo dessa país ser uma nação, queremos antecipadamente celebrar com todos, e agradecer, por poder ter a honra e a alegria de vivenciar esse momento tão especial, tão caro e tão importante para todos nós.
Um momento único, de mudança e de novas energias nunca antes vista ou sentida, como a que podemos sentir hoje; pois nem mesmo no império, menos ainda nas repúblicas, aconteceu o que está acontecendo neste momento no país.

Hoje, após a leitura desta Carta a Nação, cumprimentamos a cada povo que neste país vive, honrando sempre e dizendo que nós somos a mudança, pois fomos nós que fizemos do Brasil, um país; um país de verdade, legítimo e que verdadeiramente deve pertencer a todos os povos que nele habitam, já que a liberdade e a igualdade jamais deveria ser privilégio de alguns, mas sim, um direito de todos[1].

Nós, negros brasileiros, que sempre tivemos o imaginário de um lugar onde não existisse um paraíso nem um inferno, mas, apenas o céu; imaginamos ainda hoje um lugar aonde não exista razão para lutar, e menos ainda pelo que morrer, agora queremos ir além da imaginação, pois pensamos num Brasil possa ser um só, e ser pode ser de todos. Pode ser um país sem fome, sendo uma Nação Compartilhada; e esperamos sinceramente que, essa ideia, não seja apenas uma mera lembrança da letra de mais uma canção da moda ou algo parecido, mas sim algo possível e palpável.

Por isso, queremos celebrar esse momento de construção de um mundo novo, pautado pela verdadeira liberdade, pela igualdade de direitos; pela alegria de uma fraternidade, igualdade e liberdade incondicionais, legitimada por um Projeto consequente, que vem trazer essa possibilidade real. Estamos falando do Projeto Político trazido pelo Povo Negro para a Nação brasileira. Portanto, convocamos a todos aqueles que querem fazer dessa nação um país de um futuro-mais- que-presente, para se unir nesse coletivo humano e humanista, na construção de uma justiça equânime.

Portanto, viemos dizer que o Projeto político do Povo negro para a nação brasileira, propõe a redefinição do Estado brasileiro, a fim de que o mesmo possa ser compartilhado por todos que nele vive, onde não possa mais existir nenhum resquício do trauma da violência provocado pelo regime escravista e senhorial de um Estado opressor e monorracial; essas são as boas novas.

Por isso, convidamos a todos a estarem presentes a votação que os vereadores, nossos representantes, irão realizar votando no dia 14 de Maio, 2018, na Câmara dos vereadores do Rio de Janeiro, para possibilitar a implementação do Projeto de Reparação aonde propomos que a Pequena África, no Rio de Janeiro, seja transformada num Memorial Vivo, um Museu a céu aberto, onde a história do povo negro, assim como a história dos judeus se preserva nos campos de concentração espalhados pela Europa, possam iniciar o processo de Reparação aos Descendentes dos Povos Africanos escravizados no Brasil. Nesse dia tão significativo, aguardamos a todos que desejam protagonizar sua própria história coletiva como Povo, pessoa e gente, a somar, como mais um ponto no tecido social que venha se revestir de luz, dissipando a escuridão e revelando uma nova idade áurea ao dissipar a escuridão em que estamos vivendo neste momento.

Agradecemos a generosidade na leitura dessa carta e aguardamos a todas e todos para somar nesse dia tão significativo para todos nós, para que finalmente, em uníssono, sejamos um: Sejamos enfim, Povo brasileiro.

Reparação já...!!


OLPN-Organização para a Libertação do Povo Negro


[1] Referência a Luiz Gama.