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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

RACISMO FASHION: Uma psicopatia branca democrática, voluntária, oficial e internacional


... Neguinho só faz "Merda"...!!

... Essas Palavras são pronunciadas de forma tão banal e com uma espantosa frequência que há muito já faz parte do idioma tupiniquim.
Todo idioma é um modo de pensar, assim como a fala é uma maneira de eu existir para o outro. 
Quando falamos "neguinho é isso, neguinho faz isso ou neguinho é aquilo", nós enquadramos, desqualificando e aprisionando de forma natural e humilhante com desenvoltura os nossos pares. Atentando para o fato de que o fazemos em duas distintas dimensões de nossa existência como Negros; uma quando tratamos com nossos próprios pares, os negros; e outra quando tratamos com o branco.

Sendo assim o "neguinho" tem a função de inferiorizar e mostrar o lugar do negro nessa sociedade branca, ao mesmo tempo em que coloca o branco num patamar de superioridade. Ou seja, o próprio negro tem assumido os arquétipos que o branco criou para ele, que o mitifica, mantendo-o dessa forma, alienado de si mesmo e dos seus.

Por isso encorporamos em nossa fala as palavras imposta pelo colonizador, quando este colonizador se refere ao dono da terra como índio, sinonimizando-o como um selvícola, um incivilizado, e não como um indígena, senhor da terra invadida pelo brancú; ou então quando falamos de tribo, referindo ao espaço geográfico ocupado pela comunidade indígena em questão, fazendo alusão a animalidade do outro, ou mesmo quando sinonimizamos NEGRO  como ESCRAVO. Atentando para o fato de que a palavra escravo se origina de slavo. Ou seja, a palavra era usada para classificar o escravizado branco oriundo do norte europeu; sendo assim, a palavra escravo ressignificada veio substituir a palavra escravizado,  diferenciando desse modo, o escravizado brancú do escravo negro. Sendo assim, um está sendo e o outro é. Duas condições e lugares bem distintos.

Essas formas adjetivas que saem da boca daqueles que negam o racismo, mas, no entanto,
assassinam, estupram e humilham a pessoa de cor com o silêncio de seu vocabulário gritante, da mesma maneira que o ébrio nega seu crítico estado etílico.

O  preto modernamente intitulado de racista não é um bêbado nem é um louco, mas reproduz a psicopatia dos brancús a medida em que tenta se embranquecer, negando tudo que diz respeito a sua própria origem. Dessa maneira, esses pretos se tornam instrumentos de manipulação usados pelos brancos, para justificar e legitimar na sociedade seu sistema racista, implementado de forma institucional, científica e religiosa.

Dessa maneira, a violência com que se dá o genocídio do Povo Negro, se dá com a permissão do Povo Negro que não sabe que é negro e nem sabe que é Povo, e nem faz a mínima ideia de que nem sabe que não sabe.

Dividir para massacrar foi uma campanha de Willian Linchy iniciada com muito sucesso e que atualmente se encontra a pleno vapor e na moda. O Genocídio do Povo Negro hoje tornou-se fashion, o genocídio do Povo Negro hoje é Chic, o genocídio do Povo Negro hoje é tudo. Se fez com os povos indígenas, se faz com o Povo Negro; com o agravante de que agora está sendo progressivamente incrementado com especial requinte de crueldade nas brancas manchetes jornalisticas dos jornais as capas de revistas.

Por aceitar incondicionalmente a condição de escravos, aceitamos caminhar em direção ao pelourinho como vassalos, servis a toda a prova, já que escravo não significa  estar privado de sua liberdade, mas se refere aquele que tem sua mente e sua subjetividade controlada por seus senhores brancús. Isso é um dado, é um incontestável fato; somos escravos sem estar na condição de escravizados. Esperamos a nossa vez na fila, a fim de sermos humilhados, trucidados e devidamente assassinados. Como o número de brancús pra fazer esse execrável serviço é pequeno, os próprios pretos são recrutados  a fim de executar tal kármica tarefa, e mesmo assim, como o número de negros excede em muito ao número de algozes, esperamos ordeiramente nossa vez na fila desse branco mercado de carne negra, com nossas cabeças baixa, de forma conformada e servil, enquanto a sociedade cínica e hipócrita se comove com um cachorro abandonado pisando em qualquer criança negra abandonada que passar a sua frente.

Essa é a democracia branca que a gente vê por aqui, traduzido por esse voluntarismo e espírito altruístico branco nazifascista estruturado pela Ku Krux Klan, patrocinada por Willian Linchy e executada com um indolente toque de elegância arrogante pelos inclassificáveis eurodescendentes.




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