Uma das principais competências do
capitalismo na contemporaneidade, foi capacidade de tornar o que é explícito em
invisível e o invisível em explícito, a partir do expediente da banalização e
da coisificação; normalizando dessa maneira o impensável e o inominável; fazendo
da simplicidade um belicoso fato complexo, transformando dessa maneira, o
exercício da vida em sociedade numa competição desvairada e desgastante de um
acéfalo jogo de xadrez; quando poderia ter- se a leveza da alegria em um jogo
de Damas.
Tal é a força dessa complexidade geradora
de fatos que, tornado mito, perpassa através do tempo. Ele é atemporal a partir
do momento que torna possível àquele que governa o presente controlar o
passado, e quem controla o passado controla também o futuro.
O capitalismo se resume nesse controle
total, geral e irrestrito, através do expediente da hierarquização das culturas
e da coisificação das pessoas de cor; como num jogo de xadrez; Pessoas de cor
versus caras pálidas, macilentas, desprovidas de melanina. Ou seja, branquela
mesmo.
Tais pessoas de cor, pós
coisificadas, transformam-se em códigos de barras, meros dígitos, um número de
série qualquer, uma matrícula, um crachá e nada mais. Essa melanina coisificada
passa a constar nas estatísticas com RG, CEP e CPF. Desse modo, partindo desse
conceito de coisa, o objeto “homem de cor” é definido, enquadrado, engavetado e
manipulado ao macilento bel prazer, atendendo aos caprichos do controlador, do
carimbador e do digitalizador.
Agora, o homem de cor se prende voluntariamente
a essa rede virtual, como uma mariposa em direção as chamas da vela, quando ele
confere poder aos fatos geradores de mitos se prendendo ao controlador. Sua
subjetividade subjugada e seus sentimentos quantificados, etiquetados e
valorados de acordo com o pregão da branquidade e definitivamente transformado numa
máquina geradora de riqueza; um objeto manipulado de acordo com as
conveniências do controlador e seus asseclas.
A Pessoa de cor, uma vez número, perde
a vez e a voz, sujeitando-se a completar os algarismos nas cifras do patrão e
senhor. Agora, tornou-se politicamente correto chama-los de assalariados e não
mais escravizados. Ou seja, tudo normal, banal e oficialmente corriqueiro, de
fato, como de costume na tela da TV que a tudo vê.

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