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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Primatas, bugios e capitalismo selvagem.

Uma das principais competências do capitalismo na contemporaneidade, foi capacidade de tornar o que é explícito em invisível e o invisível em explícito, a partir do expediente da banalização e da coisificação; normalizando dessa maneira o impensável e o inominável; fazendo da simplicidade um belicoso fato complexo, transformando dessa maneira, o exercício da vida em sociedade numa competição desvairada e desgastante de um acéfalo jogo de xadrez; quando poderia ter- se a leveza da alegria em um jogo de Damas.

Tal é a força dessa complexidade geradora de fatos que, tornado mito, perpassa através do tempo. Ele é atemporal a partir do momento que torna possível àquele que governa o presente controlar o passado, e quem controla o passado controla também o futuro.

O capitalismo se resume nesse controle total, geral e irrestrito, através do expediente da hierarquização das culturas e da coisificação das pessoas de cor; como num jogo de xadrez; Pessoas de cor versus caras pálidas, macilentas, desprovidas de melanina. Ou seja, branquela mesmo.

Tais pessoas de cor, pós coisificadas, transformam-se em códigos de barras, meros dígitos, um número de série qualquer, uma matrícula, um crachá e nada mais. Essa melanina coisificada passa a constar nas estatísticas com RG, CEP e CPF. Desse modo, partindo desse conceito de coisa, o objeto “homem de cor” é definido, enquadrado, engavetado e manipulado ao macilento bel prazer, atendendo aos caprichos do controlador, do carimbador e do digitalizador.

Agora, o homem de cor se prende voluntariamente a essa rede virtual, como uma mariposa em direção as chamas da vela, quando ele confere poder aos fatos geradores de mitos se prendendo ao controlador. Sua subjetividade subjugada e seus sentimentos quantificados, etiquetados e valorados de acordo com o pregão da branquidade e definitivamente transformado numa máquina geradora de riqueza; um objeto manipulado de acordo com as conveniências do controlador e seus asseclas.

A Pessoa de cor, uma vez número, perde a vez e a voz, sujeitando-se a completar os algarismos nas cifras do patrão e senhor. Agora, tornou-se politicamente correto chama-los de assalariados e não mais escravizados. Ou seja, tudo normal, banal e oficialmente corriqueiro, de fato, como de costume na tela da TV que a tudo vê.

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