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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Reparação


REPARAÇÃO é um conceito utilizado para se referir ao pagamento concedido pelos prejuízos causados por um conflito; conflito este provocado por um contendor que, quebrando os princípios universais das regras de convivência humana, comete crimes contra humanidade. Desse modo, a REPARAÇÃO é maneira pela qual a parte prejudicada pela contenda em questão, poderia minimamente recuperar sua dignidade e sua humanidade solapada.

Poderíamos ilustrar essa situação pegando como exemplo a 2ª grande guerra, quando findado o conflito, os países que deflagraram esses lastimável episódio, foram obrigados a indenizar os países vencedores e os “povos” prejudicados por este combate.

A Alemanha, Japão, Itália em outros países do Eixo, arcaram com essas indenizações, principalmente no que diz respeito ao povo judeu, que tiveram as terras dos Palestinos confirmadas como propriedade hebraica.

Aqui no Brasil, foram os vitimados pela tortura provocada pelos militares, durante o golpe de 1964, que a exemplo dos judeus, também foram igualmente reparados. Ou seja, foram ressarcidos por esse lamentável infortúnio.

Podemos citar também, de forma curiosa, o caso dos senhores escravocratas europeus que invadiram este país, que exigiram (e ganharam) indenizações do governo brasileiro, pelo simples fato de não poderem mais cometer o crime de escravizar os negros sequestrados no continente africano; Fato este surpreendente pela inversão dos polos que se deu neste caso, pois a REPARAÇÃO se deu de forma contrária: os algozes é que foram indenizados pelo crime que cometeram, enquanto as vítimas desse mesmo crime transferiram esse legado a seus descendentes. Ou seja, a nós que aqui estamos e por vós esperamos.

Desde então, o Estado tem garantido a permanência desse dolo através de criação de leis como a de 1850; a chamada Lei da terra que impedia aos africanos e seus descendentes, de terem qualquer possibilidade ou condição legal de acesso a terra.

Sem mencionar lei da vadiagem, que permitia, em última instância, que a elite branca aprisionasse e reescravizasse o negro que não tivesse ocupação estipulada como legal pelo Estado.

Desse modo, o samba, a capoeira, a religião; toda e qualquer manifestação do povo negro; foram proibidas, desqualificadas e, o pior de tudo, o negro foi desumanizado. O resultado disso é que até hoje não sabemos por que nós negros não fazemos e nunca fizemos parte da chamada sociedade brasileira; estamos alijados de nossa humanidade e tratados como invisíveis até mesmo pela meritocracia.

Atualmente, o mundo todo reconhece esse crime, através da Conferência de Durban e da própria ONU; Organização das Nações Unidas; menos o Brazil e o negro nascido no Brasil.

Enfim, quando crimes são praticados contra a humanidade, o mecanismo da REPARAÇÃO é o único recurso plausível e viável usado como instrumento pela justiça, para que tal dolo possa ser minimamente reparado; visto que tratamos aqui de um crime imprescritível, e mais que imprescritível, é um crime continuado, já que hoje sofremos todas as consequências provocadas por esse crime; estamos aqui apelando a nossa própria humanidade pela nossa humanidade.


REPARAÇÃO JÁ...!!!

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Primatas, bugios e capitalismo selvagem.

Uma das principais competências do capitalismo na contemporaneidade, foi capacidade de tornar o que é explícito em invisível e o invisível em explícito, a partir do expediente da banalização e da coisificação; normalizando dessa maneira o impensável e o inominável; fazendo da simplicidade um belicoso fato complexo, transformando dessa maneira, o exercício da vida em sociedade numa competição desvairada e desgastante de um acéfalo jogo de xadrez; quando poderia ter- se a leveza da alegria em um jogo de Damas.

Tal é a força dessa complexidade geradora de fatos que, tornado mito, perpassa através do tempo. Ele é atemporal a partir do momento que torna possível àquele que governa o presente controlar o passado, e quem controla o passado controla também o futuro.

O capitalismo se resume nesse controle total, geral e irrestrito, através do expediente da hierarquização das culturas e da coisificação das pessoas de cor; como num jogo de xadrez; Pessoas de cor versus caras pálidas, macilentas, desprovidas de melanina. Ou seja, branquela mesmo.

Tais pessoas de cor, pós coisificadas, transformam-se em códigos de barras, meros dígitos, um número de série qualquer, uma matrícula, um crachá e nada mais. Essa melanina coisificada passa a constar nas estatísticas com RG, CEP e CPF. Desse modo, partindo desse conceito de coisa, o objeto “homem de cor” é definido, enquadrado, engavetado e manipulado ao macilento bel prazer, atendendo aos caprichos do controlador, do carimbador e do digitalizador.

Agora, o homem de cor se prende voluntariamente a essa rede virtual, como uma mariposa em direção as chamas da vela, quando ele confere poder aos fatos geradores de mitos se prendendo ao controlador. Sua subjetividade subjugada e seus sentimentos quantificados, etiquetados e valorados de acordo com o pregão da branquidade e definitivamente transformado numa máquina geradora de riqueza; um objeto manipulado de acordo com as conveniências do controlador e seus asseclas.

A Pessoa de cor, uma vez número, perde a vez e a voz, sujeitando-se a completar os algarismos nas cifras do patrão e senhor. Agora, tornou-se politicamente correto chama-los de assalariados e não mais escravizados. Ou seja, tudo normal, banal e oficialmente corriqueiro, de fato, como de costume na tela da TV que a tudo vê.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

De MULATOS a AFRODESCENDENTES: Enlaçados como Parentes através de correntes...

Me colorem de mula todos os dias, me camuflando na covardia, me matando na escola e na igreja, desde os comerciais de Coca-Cola aos desenhos do tipo Piu-Piu e Frajola;

Saio de casa ao vivo com ar de defunto novo exibido, andando Sem ver nenhuma mobilização ou manifestação protestando pelos negros corpos nos chão, por sobre o sangue que mancha o piche áspero do asfalto saxão;

Levanto cedo pra morrer (mais) tarde, quando cada invasão do Rio nos meus olhos é deflagrada a cada notícia disforme: extra, extra... Epiderme negra em carne viva ao vivo para qualquer vivente ver...!!

Sem comoção, manifestação nem mobilização; apenas mais um espetáculo do horário nobre que consente o pobre se sentir gente vivente, longe do pelourinho do crente... Assim se podem matar mais gente de cor, sem culpas nem dor... REPARAÇÕES JÁ...!!!