Nesses dias, sucedidos por protestos do povo preto, contra
a tortura, assassinatos e desaparecidos de negros pelas ruas e morros do Rio de
Janeiro, numa tentativa de combater o genocídio, sobre os auspícios da ditadura
democrática, perpetrado pelas polícias e milícias cariocas ao povo preto desse
Brasil brazilleiro; os quatro poderes: a mídia, o legislativo, executivo e o
judiciário, têm mostrado sua fina arrogância e extrema covardia no trato das
questões étnico-raciais, ao permitir que o requinte das atrocidades,
patrocinadas e executadas pelos próprios, sejam praticadas sem quaisquer
limites ou razão, na opressão desmedida ao negro cidadão.
Esses quatro poderes
têm usado, com extrema habilidade, as lições de Maquiavel na implantação dos
princípios de William Lynch referentes à sua política de como se tratar negros;
encontrando para isso, um terreno fértil no que concerne a diferenças como as
de religiões, nuances epidérmicas e nos variados tipos de cabelos. Esses
ingredientes
tem se mostrado eficazes na desunião
do povo preto, enquanto o trabalho sujo passou a ser missão explícita das
polícias e milícias cariocas, como preciosa força auxiliar nesse processo
genocida.
É nessa conjuntura político-esportiva que a história se
repete com um fúnebre festival de dor e alegria; os gritos de gol da torcida se
misturam aos gritos da carne negra retorcida, acompanhando as lágrimas de
emoções dos jogos das seleções e dos choros de extremas aflições causados pelo
choque dos pelotões, nas execuções das ordens fora de ordem desse Estado de
exceção.
No esporte, como na luta pela vida, os fatos e fotos desde Davi
frente Golias a Jesse Owens frente a Hitler, são transformados e coisificados
pela mídia, que faz dos gritos negros gentrificados, um grandioso espetáculo
tragicômico decompostos em lucros líquidos a causa branca e a casa branca. É exemplo
sorumbático para nossos afro-infantes que nossos atletas negros tenham que
degustar bananas, oferecidas como repasto por seus euros torcedores, no pasto
verde de uma arena branca.
Aqui, no outro lado da imbecilizante telinha televisiva,
nosso sumiço não é virtual, nossa tortura é real, assim como nossa finitude não
é natural em meio a tantas humilhações públicas espetacularizadas pela mídia
fascista, nazista e racista da TVs nossa de cada dia: nosso pelourinho digital.
Exemplo crasso da eficiência dessa dissimulação midiática
foram os aplausos da população brazilleira a surra lavada por Thais Araújo; uma
atriz negra da plim, plim; dada por uma atriz branca, também da plim, plim;
justamente num dia 20 de novembro negro. Hoje essa mesma população aplaude a
vitória do time alemão na copa do mundo da fifa. Ou seja, aplaudem os
exportadores de nazistas e Volkswagen, não necessariamente nessa ordem fora de
ordem. Essa é mais uma vitória simbólica da branquitude que de novo reforça o
lugar de brancos e negros na sociedade, retroalimentando o apartheid negado e
promovido pela mídia, invertendo e desqualificando valores plurirraciais.
Esse apartheid entre a população brazilleira e o povo negro
brasileiro, tem sido a menina dos olhos do mercado oligárquico, pois combina e implanta
com maestria o racismo teocrático, o racismo cordial e o racismo voluntário,
criando a maior e mais fatal doença branca que se tem notícia na história do
mundo, visto não se divisar quaisquer perspectivas de cura.
Essa doença, a zumbiphobia, a exemplo da peste bubônica que
arrasou os europeus, aponta para uma pandemia onde o outro é eliminado
epistemologicamente, psicologicamente e fisicamente em sua plenitude; é uma
doença de pele, que deflagra o Negro drama, causando o genocídio de um povo; no
caso específico, do provo preto.
Israel
de Oliveira