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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Fórum contra o extermínio da população negra: Dizendo NÃO ao genocídio melanodérmico...!!

Nós do Fórum contra o extermínio da população negra, quando subimos o morro da comunidade do Congonhas, após o ESTÚPIDO ASSASSINATO da moradora Claudia Ferreira pela polícia do Estado do Rio de Janeiro, olhamos para trás e não vimos às inúmeras entidades existentes nesse Estado, que se diz representante do povo negro; entidades que bem conhecemos como as clássicas Seppires, Ipeafros e Fundação Palmares da vida, que sempre mantêm durante esses lastimáveis eventos de todos os dias, o chamado “silêncio de ouro” como os abolicionistas no pós-abolição, quando os negros foram alijados de sua cidadania ao ser determinada a igualdade desigual entre pretos e brancos na constituição brazilleira do Brazill brazilleiro. Desigualdade essa que hoje, mais do que nunca, tornou-se motivo de lucro para aqueles que se locupletam da cultura negra a serviço da ferocidade capitalista.

Desde então nós, povo preto, vivemos essa realidade infecta e insalubre dos porões de negreiros, com direito a capatazes, também pretos, que acreditam em suas impressionantes fardas, nas modernosas armas e na linda carteira funcional que os legitimam e os habilita na prática da estupidez generalizada contra os indivíduos padrão; como é denominado qualquer cidadão de cor pela polícia tupiniquim; tornados eternos “suspeitos” pelos que se dedicam a opressão sem limites, sem quaisquer escrúpulos, sentidos de ética ou moral que sejam. Além de conferirem a esses mesmos capitães-do-mato, junto com a outorga de uma arma, do uniforme e da bestialidade, contraditoriamente lhes conferindo um elám de importância como gente.

A cada Cláudia e a cada Amarildo que cotidianamente são esquartejados pelo poder público neste Estado de exceção, constatamos que lamentavelmente esse mesmo Estado, se dedica unicamente a gerir os interesses da elite controlando as massas, suas opiniões e suas ações, e para esse fim, usando como instrumento, a mídia, a polícia e a religião.
Portanto, é necessário que se dê um basta a esse estúpido extermínio que o mundo todo, através da ONU, já reconheceu como genocídio, salvo o próprio povo que sofre com essas atrocidades: o povo preto desse país chamado Brasil.

Após as cotas para branco, que se iniciou com inúmeros privilégios e benesses aos imigrantes europeus que hoje comandam a indústria e o comércio Brasileiro, temos no senado a formação de comissão de Ética, comissão da verdade e tantas outras comissões que beneficiam a esses mesmos eurodescendentes, enquanto os afrodescendentes permanecem calados nos porões de seus tumbeiros, pois é exatamente nisso a que se resumiu o povo negro sobrevivente nos guetos do Brazil de hoje: uma turba calada, sorumbática e muda.

São notórios, muitos pretos que cansados de guerra, desconhecendo a resiliência, se curvaram diante do capital, praticando o afromodismo como forma de sobrevivência digna, segundo suas perspectivas. Ou seja, fazem de sua própria cultura uma moeda de cooptação alienante a favor da branquitude, como observamos no processo imbecilizante nos “esquentas” das TVs abertas dominicais.

Em nome das irmãs e irmãos negros que se foram, por conta das cotidianas atrocidades promovidas pelas elites através do Estado, cabe a nós que aqui estamos, possibilitar a nossos filhos, outros caminhos, como forma de desconstrução dessas sub-representações demonizadas do povo preto que desdenha a si próprio, se definhando e perdendo o brio. Temos uma história a recontar, então façamos a coisa certa; façamos o que se deve fazer e o que é preciso fazer.

É necessário um basta ao sofrimento do povo preto como fonte de renda e como moeda de barganha em forma de promessas de uma dignidade inalcançável; é necessário um basta à construção de fortunas regadas a sangue negro; é necessário um basta ao mercado da carne negra e ao sequestro de sua força ativa como gado marcado. Para isso, portanto, é necessário se dar nomes aos bois...Pois como diria Rosa Luxemburgo; o primeiro ato revolucionário é o de dar as coisas o seu verdadeiro nome.

Nosso Porto Maravilha não será em Aruanda se assim não for... Pois desde que chegamos nesse Porto, através do infame comércio de carne humana, vivemos nosso massacre diário, calados, bem comportados e enfileirados frente ao matadouro de propriedade d’uma pequena elite endinheira. É certo que o dinheiro fez a história; portanto, mais que um dever, é nossa obrigação recontar essa história silente.

Desencavaram o Porto dos Horrores batizando-o de Maravilha e está se tentando outra vez, como fez Rui Barbosa, enterrar a nossa história; lamentavelmente esse desterro e enterro não são apenas simbólicos e não se limita somente às ásperas pedras da via crúsis do cais, mais sim, efetivamente, a nossa finitude física, como gente; visto ser o corpo negro uma história viva; uma história que não deve ser lembrada, portanto, a nova temporada de queima de arquivo foi instituída pelo poder público, como parte da política eugênica iniciada lá na república para europeização dos trópicos, após ser postulada pelas perversas e corruptas mentes caucasianas.

Portanto, estamos dizendo NÃO a naturalização do Biocídio e do hepistemicídio melanodérmico. Esse genocídio legalizado pelo Estado brazilleiro deve, e tem de ter um termo, e para isso, o povo preto deve desnaturalizar seu sofrimento, abandonando a opinião midiática da verdade manufaturada. Visto que só ele, o povo preto, é que sangra e que chora nesse tumbeiro urbano em que se transformou a cidade do Rio de Janeiro e o solo varonil Brazilleiro, especificamente para a pretitude, em prol da branquitude maquiavélica, velhaca e escrota, gerida por esse Estado escravocrata e manipulador.

Estamos dizendo NÃO ao extermínio da população negra, dizendo NÃO ao genocídio do povo preto, fazendo o que deve ser feito e o que é necessário fazer. Se você é preta ou preto está na hora de dizer NÃO a seu sofrimento, a sua humilhação pública e ao pelourinho de cada dia que nos dói hoje, antes que se repita a cena em que Rui Barbosa queima nossa história; só que dessa vez, a queima não está se dando com os documentos que atestavam os crimes contra a humanidade; mais com corpos... Pilhas de corpos negros arrastados e desaparecidos sem reclames; pelas entidades que recebem dividendos para tal fim; corpos que compõem os pontos estatísticos dos códigos de barras com validade no mercado da carne mais barata do mercado: a carne negra...

Diga Não... A humilhação; diga NÃO a escravidão; diga NÃO a imbecilização; Diga NÃO... Todos nós juntos: digamos NÃO agora, antes que façamos oficialmente parte dos produtos de consumo na prateleira dos perversos desejos dessa elite vampira, sanguessuga, canibal, consumidora de nossa força ativa, de nossa história, enquanto se alimentam de nossa vida...


Não bastaram os sobrenomes que nos batizam como propriedade branca; roubaram nosso nome, nossa religião, nosso vida; não há mais nada a se roubado, salvo a réstia de dignidade... NÃO... NÃO... NÃO... Povo preto, Sejamos nós mesmos; não deixem que roubem suas mentes roubando seus corações... Por mais que um tronco permaneça submerso no rio ele nunca será um crocodilo; portanto, tentar embranquecer ou pensar ser branco nunca irá nos conferir os privilégios e as benesses possuídos por um branco, menos ainda possibilitará a liberdade do pelourinho contemporâneo... Tudo começa quando dizemos NÃO... NÂO aos Ruis Barbosas, Monteiros Lobatos, Nina Rodrigues. NÃO as eugenias e afins... NÂO as tabelas de preços por cada cabeça preta... NÃO a venda de sua dignidade... DIGA NÂO...!!! DIGA NÃO AO COMÉRCIO DE NOSSA FORÇA ATIVA... NÃO A CONTINUAR SENDO ESCRAVO DE GANHO... NÃO... NUNCA... JAMAIS OUTRA VEZ... NÃO... DIGA NÃO...!! NÃO VAMOS PERMITIR QUE NEGOCIAM NOSSA SUBJETIVIDADE...DIGA NÃO OU permaneça calado para sempre... ACORDA POVO PRETO... Não esperem que a polícia diga qual é a sua cor, saiba que se você não faz parte dos privilégios da branquitute, então sua cor já está escura, porque claro mesmo é só o seu preconceito...

http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-07-03/ipm-absolve-oficial-da-morte-do-pedreiro-amarildo.html

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