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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Rezai por nós, pecadores...!!


As negras e Negros, após o trauma vivido pelo sequestro, chamado academicamente de Diáspora, passaram pelo segundo trauma, a segunda diáspora, que foi ganhar uma liberdade de mentira, também chamado hipocritamente de abolição pelos políticos de plantão. Esses séculos de perversidades, torturas e estupros, também chamado pelo pomposo nome de democracia racial, deu origem a uma nova população; a generosa população brasileira.
População essa, que está sofrendo sua terceira diáspora, de forma suis generis; não sendo sabedores de suas raízes, de sua história, estão sendo conduzidos, cultivados e ordenhados tal como o cão de Pavlov, para não se darem conta de sua condição de escravizados. Portanto, como "escravizados felizes", não possuem instrumentos para detectar a gênese de sua desgraça e atinar para o lugar que ocupam, visto que assim naturalizam todo espécie de infortúnio enfrentado, conferindo-o, como fora domesticado, ao fator meritocrático.
Assim, nossa terceira diáspora está sendo implantada completa e mórbidamente: A primeira tentaram lhes tirar sua dignidade apropriando-se seu corpo e lhes tirando sua casa, sua família; na segunda tentaram extermínio deste mesmo corpo, já que tornou-se descartável,  através de políticas sociais genocidas; e agora, na atual diáspora, estão roubando sua imagem, se apropriando indebitamente dela, para continuar a auferir lucros, como forma da manutenção dos privilégios advindo desses mesmos lucros, como sempre assim o foi.
Os negros e negras continuam, de forma ininterrupta, sendo fonte de lucros. Outrora como pés e mãos dos arianos, construindo o Brasil, Portugal e Espanha concomitantemente. Os europeus e norte-americanos hoje, preferindo o sistema de franquia, desenvolvem seu sistema escravocrata sem mais necessitar do Owba coocoo, como era chamado o navio negreiro; uma despesa a menos, preferindo usar o próprio solo dos escravizados nesse funesto processo. Tal como os cientistas japoneses, americanos e europeus que chegam na amazônia, contrabandeiam os frutos da terra transformando-os num produto "diferente" e vendendo de volta aos nativos por um preço significante ou construindo sua fábricas, usando a mão-de-obra escravizada e deixando aqui só o lixo como único legado de sua presença.

Assim se dá com a imagem do habitantes do Novo Mundo, os brazilleiros, que compraram nesse "mercado branco" uma nova imagem como sua, vivendo uma cultura alienígena, num pensar destacado de seu modus vivendi: corpo Afro e cabeça caucasiana.  Nas diásporas anteriores a resposta ao repto desse contexto foi a resiliência, que se resultou em Capoeira e Carimbó, indo do batuque ao Candomblé. Hoje essa resposta se perdeu no vácuo do labirinto da memória, onde o negros e as negras não se encontram mais seu próprio eco, perdendo-se em si, mergulhando do Owba Coocoo pós-moderno no plácido reflexo do Narciso S/A, apresentado como seu, assumindo assim seu lugar na senzala contemporânea.
Assim o sequestro de sua imagem, tem como consequência a apropriação da criatividade e da força produtiva do negro, que se dá de forma naturalizada e normatizada, aceita sem ponderamento ou questionamento pela sociedade como um todo. Essa diáspora pós-moderna,  foi além do sequestro do próprio corpo, da casa e da família negra; ela sequestra também os sentidos, consequentemente a percepção de si, de seu mundo e do mundo ao seu redor.
Essa diáspora certamente não será tratada como objeto de pesquisa ou motivo de apreciação por parte da academia, visto ser um expediente que poderia mexer com o "equilíbrio" do sistema Matrix vigente; um vírus que poderia abalar a conjuntura desse famigerado contexto vendido como legítimo; contexto que lava pensamentos com modernos detergentes de neurônios; neurônios agora turbinados e rotulados de acordo com os acordos dos que concordam ou se beneficiam com tal sistema de coisas e coisificações: a sociedade que reza pelo senso-comum, base da terceira diáspora, solidificada pelas mídias de informação e comunicação.
Enquanto não houver um modo de cooptar esse princípio básico de pensamento livre, não subalternizado, ele não será tratado com a relevância necessária, e nem como prioridade. Um provérbio africano afirma que a ruína de uma nação começa nas casas de seu povo; Quando as negras e negras finalmente restaurarem sua família, reiniciando uma educação pautada em princípios, afim de resgatar o zênite de uma nação fraterna e solidária, então assinaremos na alma nossa alforria. Reencontraremos conosco mesmo, finalmente encontrando nossa imagem perdida nas relações virtuais da ética digital.
Assim, da abolição popular, passando pela abolição oficial, chegaremos enfim, a abolição de fato legítima. Aquela Abolição com "A" maiúsculo, que não consta na pauta de nenhum político ou candidato; não consta na agenda de nenhum empresário nem dono de fábrica; não consta no dicionário da classe média nem da oligarquia. brazilleira: Á LIBERDADE NEGRA. Essa liberdade não se reduz à igualdade somente, mais sim a paridade. Ou seja, manter às diferenças dentro dessa igualdade, para que nosso identidade não seja uma identidade líquida; que ela possa existir dentro dessa liberdade, mesmo pautada pela insegurança de se perder.


sábado, 8 de setembro de 2012

Tropa de elite


É perversa a forma com que a famigerada mídia, como uma Matrix mental, domina e manipula o senso comum. Ela coordena toda a vida do indivíduo, ditando seu discurso, sua forma de pensar e de sentir a vida. Enfim, seu modus-vivendi.
Coma isso...!! Vista aquilo...!! Fale dessa maneira..!! Faça assim...!! Vote nesse honesto sujeito...!! Etc... e assim por diante; de forma inescrupulosamente inocente e imperativa, não dando tempo para que o indivíduo perceba que existem escolhas, além do cardápio de opções apresentado como "última forma".
Basta passar em frente a uma escola da elite e de uma escola pública; a primeira parece um clube onde se respira cultura, enquanto a segunda é, sem dúvida, um açougue de abater quaisquer consciências no nascedouro.
Observamos que a presença do estado nas comunidades desfavorecidas, se dá através da polícia assassina e da repressão contínua. Basta ser negro para que se justifique sua morte como auto de resistência; basta ser pobre para ter seu casebre invadido sem mandado; basta ser os dois para que seu direito de ir e vir seja imobilizado e amordaçado, enquanto a justiça cega emudece, fingindo-se de surda.
assim, sobre a égide de proteger o cidadão de bem. Ou melhor, cidadão de bens, faz sua vista grossa cotidianamente justificada pela mídia, que acalma e domestica os ânimos daqueles que insistem produzir estatística, contabilizando os corpos negros espalhados pela cidade. 
Isto é Brazill..!!