Um bicho muito esquisito bem conhecido pelos Tuaregues, era o Mancapirato: uma mistura de araia, pelo formato de seu corpo achatado; com tubarão, por sua grande voracidade. Esse bicho esquisito vivia sob a terra, comendo qualquer coisa que se mexesse, e por ter extrema dificuldade de locomoção, preferia ficar aguardando sua presa assim, bem quieto, camuflado pelo solo.
Dependendo de sua idade, ele tinha três tamanhos inconfundíveis: mini, como um pequenino lagarto; médio, como uma tartaruga marinha; e tamanho gigante, como um hipopótamo. Quando o Mancapirato abocanhava algo ou alguém, ele digeria vagarosamente, como uma jibóia engolindo sua presa. Uma vez abocanhada dificilmente sua boca liberava sua presa; só sacrificando esse esquisito animal se conseguia libertava a presa de sua boca trituradora.
Mesmo livre, a presa ficava com seqüelas da investida, uma vez que a saliva do Mancapirato é similar à saliva do dragão de Comodo; possuía um poderoso ácido corrosivo, que desintegrava parcialmente a parte mordida.
Certa feita havia por aquelas bandas, um fazendeiro que tinha a riqueza do tamanho de seu egoísmo; como a maioria das pessoas ricas, ele convivia com o terrível receio de algum dia perder toda sua riqueza; e com a idade chegando, também seu receio foi aumentando.
Tendo um filho único, começou a ter uma idéia fixa, imaginando que um dia esse filho pudesse reclamar sua riqueza justificando seu golpe pela sua condição de incapaz, por sua idade avançada.
Um dia, o filho desse homem foi atacado por um Mancapirato de tamanho médio, mas seu fiel empregado conseguiu livrar o rapaz de um mal maior, sacrificando aquele bicho esquisito a tempo de salvar-lhe a vida.
Quando o dito fazendeiro soube do acontecido, ele foi ter com o empregado. Por sua vez o humilde homem, eufórico por ter feito uma boa ação, perguntou se havia sido um bom empregado; respondendo, ele disse com muito desdém:
-Teria sido um bom empregado se esperasse mais quinze minutos antes de sacrificar o animal!!
Sem entender, o empregado frustrado calou-se.
Alguns dias depois, acompanhado pelo mesmo empregado, o fazendeiro inadvertidamente pisou num Mancapirato gigante; o bicho esquisito deu o bote certeiro. O patrão gritou desesperadamente para que seu empregado sacrificasse o animal antes que fosse tarde demais; mas o homem como bom empregado, olhando atentamente para o relógio respondeu que ainda não havia se passado quinze minutos.
Assim, o rico fazendeiro foi sendo lentamente engolido pelo Bicho esquisito, durante os terrificantes e infindáveis minutos que se seguiram de agonia, sofrimento e desespero, com sua face aterrorizada vendo o fim próximo, ele ainda conseguiu ouvir a última e ingênua frase do eufórico empregado:
-... E agora patrão...?? Estou sendo um bom empregado...!!???
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