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quarta-feira, 2 de junho de 2021

O Ferro Afia o Ferro: o Paradoxo que Cinge a Consciência e o Pensamento

As diversas versões das Realidades; versões passadas e futuras; que nos são apresentadas repetidamente; somadas as Linhas de Tempo criadas pelo nosso Poder pessoal de Foco, como portadores que somos dessa verdade elegantemente trazida por nossos Sentimentos; criam um paradoxo que exibe o seu contraste, ao expor uma dicotomia, análogo as que são apresentadas pelas rosas de plásticos, que não morrem e nem ferem, diante das Rosas de Fato; revelando desse modo, distintas realidades que são sutilmente envoltas por múltiplas camadas, que só podem ser descobertas após serem debulhadas constante e continuamente, como se fora um sabático rosário.

A metáfora alusiva as flores de plásticos, é o processo que vem sendo meticulosamente usado para adornar os inflamados discursos produzidos nos porões dos escuros jardins dos reichs monárquicos contemporâneos, ornamentando o panteão que abriga os santos com pés de barro[1], perfilados no pedestal das efemérides produzidas pelos senhores da cultura e das narrativas propositalmente enviesadas, que foram grafadas e sacralizadas respectivamente nos livros didáticos e religiosos; são essas mesmas literaturas que fabricam os paradigmas e dogmas, que formataram a arquitetônica da famigerada sociedade pós-moderna, impondo a liberdade condicional para uns e o toque de recolher para outros; estes dogmas e paradigmas são como remendos usados para costurar o véu que tece a máscara da escuridão, usada como disfarce holográfico pela democracia natimorta.

Desse modo, fazendo uso desse dogmas e paradigmas, criamos a nossa ilusão particular e procuramos impingi-la ao outro, já que vemos o mundo como nós somos, e não como ele realmente é; nesse caso, é o ego dirigente dessa mente que, como intrusa, nos instruí, impondo os pensamentos que nos guiam, como se existisse uma verdade única[2], diante da realidade que muda a cada segundo.

Diante desse véu ilusório, o músculo do coração é o que se encontra mais atrofiado nesse processo, pois raramente ele é tão exercitado como os tríceps, deltoide, trapézio ou abdominal; e tudo isso se reflete em nosso corpo físico, mental e emocional.

Portanto, as realidades mutantes se transformam a cada minuto em que o olhar do observador se faz presente, nesse tempo em que, a eternidade se revela como momentos vívidos que se vive, já que o tempo em si mesmo, é inexistente, pois assim com a terra não é plana, ele, o tempo, também não é linear. O tempo linear foi uma ilusão necessária para sustentar o mercado infame, esse cruento regime de escravidão gerenciado pelo poder do medo.

Quebrar paradigmas requer coragem; rescindir-se os dogmas proporcionado pelas crenças limitantes, requer o desapego integral a esse intelectualismo débil, que lustra o ego ao mesmo tempo em que infla esse baixo autoestima oferecida como oblação compensatória.

As efemérides são as nossas flores de plásticos, que Pavlov e Skinner cultivaram, para nos fornecer respostas prontas; necessárias a amenização do paradoxo surgido entre a ação do pensamento e processo da tomada de Consciência. A incrível sagacidade dessa saga patrocinada pelo mercado infame, foi a de transformar o indivíduo em sua própria prisão; fazendo ele esquecer-se de si mesmo enquanto sujeito humano, com direito à liberdade e felicidade de berço. Dessa forma, ele defende e acredita no roteiro de felicidade estipulado pela sociedade dos Tempos Modernos, enquanto busca pela autoafirmação endossada e aprovada por essa mesma sociedade que o consome.

 



[1] Referência ao sonho do profeta Daniel.

[2] “Existe a minha verdade e sua verdade; o que podemos fazer é juntar as nossas verdades e buscar pela Maior Verdade”; esse provérbio africano nos faz inferir que a verdade tem cerca de sete bilhões e meio de partes; que é o número de habitantes do planeta atualmente; e todos estão com a verdade e são a verdade, desde que reconheça a verdade que reside no outro. Portanto, o ato de ouvir o outro também se torna um ato de meditação, pois esse é um processo exige que que nos tornemos presente, uma vez que, o ato de ouvir difere do ato de escutar. Escutamos porque não somos surdos, e ouvimos quando aquilo que é falado não passa pelo crivo do julgamento e da crítica por parte do ouvinte, já que ele não procura rebater ao que é dito, enquanto é dito, buscando por alguma resposta ou rotulando o assunto; que não se trata de opinião dada, mas sim da exposição de uma ideia a ser debatida e não combatida; assim sendo, o diálogo não exige a ação do intelecto, mas sim a predisposição que transforma a escutar numa atividade ativa.