A metáfora alusiva
as flores de plásticos, é o processo que vem sendo meticulosamente usado para adornar
os inflamados discursos produzidos nos porões dos escuros jardins dos reichs
monárquicos contemporâneos, ornamentando o panteão que abriga os santos com pés de barro[1], perfilados
no pedestal das efemérides produzidas pelos senhores da cultura e das narrativas
propositalmente enviesadas, que foram grafadas e sacralizadas respectivamente
nos livros didáticos e religiosos; são essas mesmas literaturas que fabricam os
paradigmas e dogmas, que formataram a arquitetônica da famigerada sociedade
pós-moderna, impondo a liberdade condicional para uns e o toque de recolher
para outros; estes dogmas e paradigmas são como remendos usados para costurar o
véu que tece a máscara da escuridão, usada como disfarce holográfico pela democracia
natimorta.
Desse modo,
fazendo uso desse dogmas e paradigmas, criamos a nossa ilusão particular e
procuramos impingi-la ao outro, já que vemos o mundo como nós somos, e não como
ele realmente é; nesse caso, é o ego dirigente dessa mente que, como intrusa, nos
instruí, impondo os pensamentos que nos guiam, como se existisse uma verdade única[2],
diante da realidade que muda a cada segundo.
Diante desse
véu ilusório, o músculo do coração é o que se encontra mais atrofiado nesse
processo, pois raramente ele é tão exercitado como os tríceps, deltoide,
trapézio ou abdominal; e tudo isso se reflete em nosso corpo físico, mental e
emocional.
Portanto,
as realidades mutantes se transformam a cada minuto em que o olhar do
observador se faz presente, nesse tempo em que, a eternidade se revela como
momentos vívidos que se vive, já que o tempo em si mesmo, é inexistente, pois
assim com a terra não é plana, ele, o tempo, também não é linear. O tempo
linear foi uma ilusão necessária para sustentar o mercado infame, esse cruento regime
de escravidão gerenciado pelo poder do medo.
Quebrar paradigmas
requer coragem; rescindir-se os dogmas proporcionado pelas crenças limitantes,
requer o desapego integral a esse intelectualismo débil, que lustra o ego ao
mesmo tempo em que infla esse baixo autoestima oferecida como oblação compensatória.
As efemérides
são as nossas flores de plásticos, que Pavlov e Skinner cultivaram, para nos fornecer
respostas prontas; necessárias a amenização do paradoxo surgido entre a ação do
pensamento e processo da tomada de Consciência. A incrível sagacidade dessa saga
patrocinada pelo mercado infame, foi a de transformar o indivíduo em sua
própria prisão; fazendo ele esquecer-se de si mesmo enquanto sujeito humano,
com direito à liberdade e felicidade de berço. Dessa forma, ele defende e acredita
no roteiro de felicidade estipulado pela sociedade dos Tempos Modernos,
enquanto busca pela autoafirmação endossada e aprovada por essa mesma sociedade
que o consome.
[2] “Existe a minha verdade e sua verdade; o que podemos fazer é juntar as nossas verdades e buscar pela Maior Verdade”; esse provérbio africano nos faz inferir que a verdade tem cerca de sete bilhões e meio de partes; que é o número de habitantes do planeta atualmente; e todos estão com a verdade e são a verdade, desde que reconheça a verdade que reside no outro. Portanto, o ato de ouvir o outro também se torna um ato de meditação, pois esse é um processo exige que que nos tornemos presente, uma vez que, o ato de ouvir difere do ato de escutar. Escutamos porque não somos surdos, e ouvimos quando aquilo que é falado não passa pelo crivo do julgamento e da crítica por parte do ouvinte, já que ele não procura rebater ao que é dito, enquanto é dito, buscando por alguma resposta ou rotulando o assunto; que não se trata de opinião dada, mas sim da exposição de uma ideia a ser debatida e não combatida; assim sendo, o diálogo não exige a ação do intelecto, mas sim a predisposição que transforma a escutar numa atividade ativa.
