Diário de bordo do vigésimo segundo dia do mês de
abril, do ano gregoriano de 2020: A Nave-Mãe, Gaia, flutua no vazio do espaço
cósmico trazendo a bordo cerca de 25 bilhões de almas, algumas com suas Naves-Corpos
e outras sem esses Corpos-Naves que transportam essas mesmas almas através das
Galáxias, dos Multi-universos e das multi-Dimensões, nas suas várias linhas de
tempo e de espaço.
Essas Naves-Corpos, foram cientificamente classificadas
e categorizada como máquina, e certificada como corpo humano pelo Estado
profundo; essas máquinas humanas são capazes de acomodar a alma que, a exemplo
de um vórtice, possuí diversos corpos dentro de si mesma, de forma fractal, cujo
espírito, sendo um e também uno consigo mesmo, não pode ser contido dentro da extensão
do planeta que o abriga.
Entre as 40 Naves que trafegam no espaço da Via
Láctea; sendo que a academia terráquea só foi capaz de identificar sete [1]além
da Terra até o momento; Gaia é conhecida no Universo galáctico como Merlia[2],
semelhante a todas as outras Naves, com sua Geosfera, Biosfera e Atmosfera; ela
faz uso da Luz como combustível, e tal como as Naves-Corpos que ele contém,
todos têm em comum o material que as estruturam.
Há éons, Gaia foi transformada num caldeirão
metafísico, assim que se tornou o ponto de encontro das almas oriundas de múltiplos
cantos do Universo; essas almas de origens distintas, procederam de Sírius,
Vegas, Órion, Plêiades, Altair, Andrômeda, Alcione, Capela, Vênus, Marte e
tantos outros Naves-Planetas e aglomerados que formaram a Federação Galáctica.
Gaia agora se prepara para retornar como componente
dessa mesma Federação; por hora, ela somente aguarda as almas cativas de
si mesmas despertarem, já que essas mesmas almas ainda desconhecem as próprias
asas (merkabah[3]),
e por isso mesmo se limitam ao que foi estabelecido por essa holografia especialmente
criada para esse cativeiro em que Merlia acabou por se transformar, durante esse
período escuro de sua existência.
Quando essas almas compreenderem que elas não têm
uma vida, ao se conscientizar de que elas são a própria vida, percebendo assim que
suas Naves-Corpos são os veículos especiais usados para proporcionar as vivencias
e situações na superfície de Gaia, tal como o mergulhador, que ao visitar as
profundezas do oceano, busca fazer uso dos equipamentos necessários para tal
empresa.
Mas, a Matrix holográfica reinante em Gaia, impediu
que as almas contidas nesses Corpos-Naves percebessem que esses mesmos corpos são
tão-somente seus veículos de exploração que os carregam sobre Gaia.
A Mãe-Terra que, com sua generosidade incondicional
nos recebeu em seu seio, amorosamente cuidando e protegendo cada ser que sobre
ela tem abrigo, agora brilha espargindo seu esplendor desde Vênus até Solara[4] iluminando o firmamento sem fim e sem forma, celebra em seu dia, seu
aniversário de Ascensão.
[1]
Marte, Vênus, Saturno, Netuno, Júpiter, Mercúrio e Urano.
[2]
Feminino de Merlin.
[3] Veículo
da alma.
[4]
Planeta com três sois.


