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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O Super Mercado Negro do Shopping branco contemporâneo

Negócio é negócio... tudo é negócio... O capitalismo se resume a esse sagrado conceito de Mercado, que leva o indivíduo a ostentar sua arrogância como máxima de sua existência definindo-o ser que se diz humano.

Tudo é novo nesse velho conceito capital que mostrou sua atual face nos porões dos tumbeiros de forma magistral. Os produtos desses negreiros aqui chegando, os escravizados, que perderam neste sinistro caminho de água e terror, seu chão, suas roupas, sua religião e até seu nome, pois aqui chegando foram chamados de pretos novos; após se transformarem em objetos; ganhando novo nome, religião e identificação.

A cidade onde habito hoje, e aonde nasci preto como filho de preto: São Gonçalo, aqui mesmo no Rio de Janeiro; cidade com nome de santo branco; é o Município que congrega o maior número de negros no Brazil e também o município com o maior número de evangélicos do mundo, local aonde eu, preto, fiz meu desmundo.

Certamente os políticos dessa cidade, muitos dos quais negros e evangélicos, são extremamente competentes na observância dos bons costumes brancos aqui impostos e cobrados como impostos. Vejamos os fatos que me leva a tal peremptória afirmação: a prefeitura, principalmente na gestão Panisset, proibiu o uso de atabaques nas aulas de capoeira ministradas nas escolas públicas do município em questão, isso após ordenar a queima do material didático abordando a História e a Cultura Afro, A Cor da Cultura, que fora enviado pelo governo federal para todas as escolas do referido município após a promulgação da Lei 10.639/03; além de ordenar a derrubada do primeiro templo de Umbanda do Brasil, local onde iniciou-se a prática de matriz afro sincrética no país. Ações como essas tornaram-se lugar comum na sociedade Gonçalense, sem estranhamento ou qualquer atitude contrária comovente, só perversidade na mente com sintomas demente.

Como professor nesse cruel e espetacular paraíso racial, trabalhando com o referido tema há vinte anos numa escola de pensamento branco total como manancial, bem como todas (escolas) nessas embranquecidas paragens brasilianas, tenho que trabalhar concorrendo com o corporativismo branco assimilado pelos (negros) embranquecidos. Nesse caso, inevitavelmente fui condenado por apologia ao racismo ao contrário.

Tento explicar que não é bem assim, que até tenho amigos brancos, que tive já um avô branco e que até já namorei uma branca; mais parece que essas justificativas não foram suficientes para que deixassem de me acusar de preconceito contra branco... Um absurdo...!! Uma aberrante dissociação cognitiva gritante...

Meus acusadores são pessoas de embranquecido respeito, que trabalham em prol da igualdade racial e louvam as Ações Afirmativas. Ou seja, são exemplos nesse mercado educacional onde o preconceito racial transformou-se em defesa de interesses e racismo é só um mero e prosaico negócio, é disputa de poder.

Esse Black Friday Pedagógico é o negócio de ocasião que jorra nas públicas promoções de efemérides dos currículos nosso de cada dia, onde os clãs da branquitude determinam o lugar dos neguinhos assimilados pelo embranquecimento cotidiano promovido pela mídia ao longo de cada ano.

Desse modo, neguinho acaba fazendo branquices quando entra, quando sai e também no meio. A lista branca é longa e as branquices são muitas. Branquinhos se protegem num corporativismo quase animal, e agora ainda contam com neguinho pra fazer seu trabalho sujo; o fiel capitão-do-mato que cumpre seu papel a risca. Bem em relação a isso, só posso dizer uma coisa: branquinho é Foda... Se a gente não se ligar, e se nosso xadrez não se vestir de preto e vermelho, 10.639 cairão nossa esquerda assim como 11.645  já caíram a nossa direita, e a branquice estará completa, pois isso, só pode mesmo ser coisa de branco...!!



Reafirmo, não sou racista ao contrário, já que raça branca é só uma lamentável e estúpida construção social, um lastimável engano. Ou seja, raça branca não existe, portanto, assim como qualquer branco, não sou racista... Já tive até uma calopsita de cor branca...Quer mais o quê...!? Só por que não sou preto novo e fui negro de Senzala, não quer dizer que seja racista ao contrário, muito pelo contrário...Sou totalmente o avesso do inverso desse reverso ao contrário...Quer prova melhor...!? Creio que não sejam necessários uns 10.369 tapas na cara pra branquinho acordar pra realidade e parar com essas branquices... 

Já que isso não deve, não pode e não vai passar em branco... Racistas não passarão. Ainda mais esse horror de negro gozar de direito para exercer o preconceito contra a própria cor, nessa eterna guerra pelos domínios de territórios, onde nesse campo de batalha, o exercício da alteridade implicaria positivamente na aceitação do branco como um criminoso, um estuprador, num contínuo processo de auto reconhecimento que necessariamente requer sentir extrema dor; visto que essa aparente imunidade, da prática criminosa contra a própria espécie, nunca reinará na impunidade prometida como prêmio por esse mercado marcado pela improbidade; onde somos produtos enlatados nas prateleiras atrativamente brancas, com a carne negra sendo consumida vorazmente de forma antropofágica, ao mesmo tempo em que é exibida como um lindo filme de terror sendo atração principal desse carnavalesco funeral da humanidade desumana...É preciso erradicar essa peste branca dessa clara idade mental medieval...