O que dizer de um espaço criado
para a formação plena de cidadãos críticos, que cultiva a cultura do mimetismo,
transformando cada discente em indivíduos passivos, marginalizados e
desprovidos de vontade própria? Pois essa tem sido a função da escola desde o
golpe que instaurou a república em solo tupiniquim.
A escola vem pacificando os
espíritos, adestrando corpos e domesticando vontades através da produção de
verdades que protegem os privilégios e caprichos próprios das oligarquias
dominantes. Esse processo está sendo tão vil como foi o trucidamento de Oito
milhões de Congoleses, produzido pelo rei Leopoldo da Bélgica; deixando a
estupidez praticada por Hitler contra os seis milhões de negros, ciganos, homo afetivos,
testemunhas de Jeová e judeus em segundo plano em termos de crueldades e de
quantidade, fato
este que foi transformado em símbolo, tornando-se propriedade dos judeus, a
partir do momento em que foi gravado e divulgado no calendário como episódio
histórico-oficial judaico.
Essa violência neo-contemporânea
exercida na escola sobre incautos discentes, vem tomando proporções de estado
de calamidade pública, visto que ela está a produzir uma sociedade de zumbis hollywoodianos com requintes de
estupidez, na medida em que faz dessas meninas e meninos, em sua esmagadora
maioria afrodescendentes, reles instrumentos a serviço das elites.
A vontade desses novos cidadãos são
vontades fornecidas pela cultura formatadora da/na escola, que faz com essa
menina e esse menino acredite numa história oficial (desacreditando de sua própria história) que não é a sua, numa
cultura que não lhe pertence, fazendo uso de livros contendo meias verdades
pré-fabricadas e embaladas em vistosos e agradáveis discursos (não tão agradáveis assim...).
O conhecimento compartimentado, dividido
em disciplinas desconexas, privilegiam o esquecimento fornecido pelo
desinteresse provocado e retroalimentado por essas linhas paralelas e desconexas
que nunca se entrelaçam; conhecimentos esses, baseados numa história desonesta
e equivocada, para justamente reassegurar os interesses do mercado financeiro e
do mundo dos negócios, controlados pela mesma elite que controla o mercado da
educação e administrados pelas instituições oficiais.
É um processo que deixa uma indelével
marca em sua clientela; marca que vai acompanhá-lo como aquele antigo cidadão eslavo
que os romanos marcavam com uma tatuagem identificando-o como servo, (dai a origem da palavra escravo). Não é
de se estranhar que os discentes carreguem essa marca implicitamente marcante e
definidora de sua identidade, refletida principalmente em sua linguagem e sua postura;
fato que inexoravelmente o define como servo contemporâneo do sistema capital.
O apartheid escolar e o capitalismo
cognitivo são os dois principais pilares de sustentação dessa dramática
conjuntura. A escola, como centro reprodutor de mentes dóceis e passivas
renovada continuamente pelo espírito do anacronismo conservador, vem realizando
esse trabalho sócio dicotômico com um tremendo esforço natural, normatizando em
quadro branco com objetivos claros a sua missão. Seu
tradicionalismo renega o espírito investigativo discente, e sem apresentar os
desafios para uma vida melhor, ela apresenta o melhor da vida como promessa
fugaz e longínqua de uma distante vida, em vez de uma realidade possível.
Praticando vorazmente o
hepistemicídio, ela nega veementemente a policultura, quetizando a diversidade
e universalizando o saber único. Assim se produz
e hierarquiza saberes que padronizam; saberes homogeneizantes e controladores
que dividem as classes de conhecimento (sociólogos,
psicólogos, advogados, etc.) das classes populares. Implantando em cada
menina e menino o sentimento de desvalor e a sensação da desesperança num possível
futuro, na medida em que mostra o lugar que cada um deverá ocupar como
indivíduo, em seu papel de ser social.
Esse espaço aonde a escola o coloca
é o entre lugar, onde ele não
encontra sua própria verdade como sujeito pensante, detentor de seu bem-querer.
Portanto, sua identidade é uma coleção de máscaras ocasionais e indefinidas,
fornecidas pela mídia; nossa escola paralela. Essa imersão midiática onde o
indivíduo se engolfa tornou-se a haxixe mais usado por ele como antídoto ao
anacronismo escolar, que o transforma num drogado digital, preso na teia
assassina das tecnologias de informação e comunicação.
Agora como uma dócil presa, ele
torna-se quase um androide, sujeito das verdades culturais pré-formatadas,
preparadas especificamente para sua sobrevivência no mundo das platônicas cavernas
digitais: “Ao preto o que foi do eslavo”.
A epiderme transformada em marca, hierarquiza e qualifica (ou desqualifica) o indivíduo desde o primeiro instante de sua
escolarização; É nesse momento que o discente é preparado pela escola para ser
inserido no mundo fora da realidade de suas verdades hereditárias: O ritual de
passagem se completa em cada conteúdo assimilado e a cada prova e teste
realizados pelo neófito.
Portanto, aprendemos que a melhor
democracia é a ditadura ditada na escola, do momento em que ela, a escola,
adestra seu corpo discente a obedecer aos estatutos, a apresentar sua carteira
de identidade ou caderneta escolar quando ordenado, a votar, a servir e morrer
pelo seu país; Tudo isso cantando o hino nacional ao qual ele nunca aprendeu a
letra. Na escola ele aprende que a igualdade existe mesmo que seja uma ilustre
desconhecida e que, nesse caso as diferenças são impróprias e que por isso é ilegal ser diferente (no sentido próprio
da palavra) visto que a igualdade é pregada na constituição como algo
justo, e que a justiça precisa respeitar as diferenças: inferimos então que
somos todos... Cidadãos iguais com justiça diferente (indiferente)...
Agora temos uma sociedade que elege como representante
um coronel que promove homicídio em massa dentro de um presídio, sendo
condenado a 600 anos de prisão e não chegando nem perto de uma cadeia, trocando
centenas de mortos no Carandiru por uma vaga no congresso nacional. Temos
nossos quilombos urbanos, como o da Pequena África no Centro da cidade e o de
Sacopã, no Leblon, zona sul do Rio de janeiro, pertencendo à descendentes de
imigrantes europeus enquanto os descendentes de quilombolas estão sendo confinados às
comunidades carentes de tudo, servindo como figurantes sociais, protagonizando grotescas atrações
nas telas das TVs como única forma possível de inserção social.
São esses marginais produzidos e cultivados pela
escola, adestrados para acreditarem nas efemérides: abolição, princesa Isabel e
Duques de alguma coisa, que elegem e se alijam acreditando que nesse destino
predestinado contínuo. Discentes cultivados para aceitarem verdades
pasteurizadas veiculadas pela mídia, e com data de validade de acordo com as conveniências financeiras
do mercado de valores de ética aidética.
Essa conjuntura é mantida pelo governo, atendendo a lei maior do mercado (o lucro desmedido) e justificado pelas instituições, que
em tese deveriam zelar pelo bem estar de sua nação. Esse tem sido o papel da
escola na construção e estruturação de uma nação servil, com discentes
candidatos a sub-figurante de pseudo-vice cidadão: nossos discentes são marginas que gozam satisfeitos com liberdade provisória conferida pelas efemérides aprendidas na escola e oficializados pela mídia, nossa escola paralela que legitima o pensamento colonial, escravocrata e oligárquico como uma inocente verdade natural e única. Nossa linha de produção Taylorista é a antiga novidade da revolução digital do momento, seguindo por mero acaso a didática ditada pela revolução industrial e a filosofia racista dos pensadores iluministas. Como o Rei Leopoldo da Bélgica, a família Rothschild
que o diga, afinal é família que fica com mais da metade do dinheiro corrente no
mundo e que governa os meninos da Cia, exército norte-americano e FBI; que de acordo com seus interesses recomendou e comandou a invasão aos países Africanos; aqueles que a mídia acusou e responsabilizou da promoção do levante batizado pelo norte-americanos de Primavera "Árabe" e tudo mais, que nada mais foi do que uma tentativa do General Kadhafi de reunir os países africanos com uma moeda única, assim como fizeram os europeus; seria um evento terrível para a família Rothschild.
Por isso a escola é necessária tanto quanto é necessária a universidade, mantendo a conjuntura desse grande cemitério urbano, com um coveiro-mor que se arvora dono de cada lápide e de cada cadáver, fazendo de cada ser um zumbi, sem vontade própria, raízes ou referências. Cada velório se transforma num acontecimento repetitivo e único de todos os dias de cada vida. Assim, a chacina naturalizada das mentes e de vontades tornaram-se lugar comum no cotidiano nas tela das TVs; a cada nova estréia, programas e atrações para nossa distração, para assistirmos no conforto dos recônditos de nosso tumbeiro.
"Suportar toda aquela
dor, literalmente queimar minha carne só para fazer com que meus cabelos
ficassem parecendo com os de um branco. Eu me juntava à multidão de homens e
mulheres negras que sofreram uma lavagem cerebral tão grande até acreditarem
que os negros são inferiores – e os brancos superiores – e que devem até mesmo
violar e mutilar os corpos que Deus criou para tentar parecer 'bonitos' pelos
padrões dos brancos. Assim como para qualquer mulher negra, digo ao homem negro que se
dessem ao cérebro em sua cabeça só a metade da atenção que dão aos seus
cabelos, estariam mil vezes mais humanos." (MALCOLM X)






