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segunda-feira, 8 de abril de 2013

O ESPAÇO ESCOLAR E O SISTEMA TAYLORISTA NA CONSTRUÇÃO MARGINAL DO CORPO DISCENTE



O que dizer de um espaço criado para a formação plena de cidadãos críticos, que cultiva a cultura do mimetismo, transformando cada discente em indivíduos passivos, marginalizados e desprovidos de vontade própria? Pois essa tem sido a função da escola desde o golpe que instaurou a república em solo tupiniquim.

A escola vem pacificando os espíritos, adestrando corpos e domesticando vontades através da produção de verdades que protegem os privilégios e caprichos próprios das oligarquias dominantes. Esse processo está sendo tão vil como foi o trucidamento de Oito milhões de Congoleses, produzido pelo rei Leopoldo da Bélgica; deixando a estupidez praticada por Hitler contra os seis milhões de negros, ciganos, homo afetivos, testemunhas de Jeová e judeus em segundo plano em termos de crueldades e de quantidade, fato este que foi transformado em símbolo, tornando-se propriedade dos judeus, a partir do momento em que foi gravado e divulgado no calendário como episódio histórico-oficial judaico.



Essa violência neo-contemporânea exercida na escola sobre incautos discentes, vem tomando proporções de estado de calamidade pública, visto que ela está a produzir uma sociedade de zumbis hollywoodianos com requintes de estupidez, na medida em que faz dessas meninas e meninos, em sua esmagadora maioria afrodescendentes, reles instrumentos a serviço das elites.
A vontade desses novos cidadãos são vontades fornecidas pela cultura formatadora da/na escola, que faz com essa menina e esse menino acredite numa história oficial (desacreditando de sua própria história) que não é a sua, numa cultura que não lhe pertence, fazendo uso de livros contendo meias verdades pré-fabricadas e embaladas em vistosos e agradáveis discursos (não tão agradáveis assim...).



O conhecimento compartimentado, dividido em disciplinas desconexas, privilegiam o esquecimento fornecido pelo desinteresse provocado e retroalimentado por essas linhas paralelas e desconexas que nunca se entrelaçam; conhecimentos esses, baseados numa história desonesta e equivocada, para justamente reassegurar os interesses do mercado financeiro e do mundo dos negócios, controlados pela mesma elite que controla o mercado da educação e administrados pelas instituições oficiais.

É um processo que deixa uma indelével marca em sua clientela; marca que vai acompanhá-lo como aquele antigo cidadão eslavo que os romanos marcavam com uma tatuagem identificando-o como servo, (dai a origem da palavra escravo). Não é de se estranhar que os discentes carreguem essa marca implicitamente marcante e definidora de sua identidade, refletida principalmente em sua linguagem e sua postura; fato que inexoravelmente o define como servo contemporâneo do sistema capital.



O apartheid escolar e o capitalismo cognitivo são os dois principais pilares de sustentação dessa dramática conjuntura. A escola, como centro reprodutor de mentes dóceis e passivas renovada continuamente pelo espírito do anacronismo conservador, vem realizando esse trabalho sócio dicotômico com um tremendo esforço natural, normatizando em quadro branco com objetivos claros a sua missão. Seu tradicionalismo renega o espírito investigativo discente, e sem apresentar os desafios para uma vida melhor, ela apresenta o melhor da vida como promessa fugaz e longínqua de uma distante vida, em vez de uma realidade possível.

Praticando vorazmente o hepistemicídio, ela nega veementemente a policultura, quetizando a diversidade e universalizando o saber único. Assim se produz e hierarquiza saberes que padronizam; saberes homogeneizantes e controladores que dividem as classes de conhecimento (sociólogos, psicólogos, advogados, etc.) das classes populares. Implantando em cada menina e menino o sentimento de desvalor e a sensação da desesperança num possível futuro, na medida em que mostra o lugar que cada um deverá ocupar como indivíduo, em seu papel de ser social.

Esse espaço aonde a escola o coloca é o entre lugar, onde ele não encontra sua própria verdade como sujeito pensante, detentor de seu bem-querer. Portanto, sua identidade é uma coleção de máscaras ocasionais e indefinidas, fornecidas pela mídia; nossa escola paralela. Essa imersão midiática onde o indivíduo se engolfa tornou-se a haxixe mais usado por ele como antídoto ao anacronismo escolar, que o transforma num drogado digital, preso na teia assassina das tecnologias de informação e comunicação.



Agora como uma dócil presa, ele torna-se quase um androide, sujeito das verdades culturais pré-formatadas, preparadas especificamente para sua sobrevivência no mundo das platônicas cavernas digitais: “Ao preto o que foi do eslavo”. A epiderme transformada em marca, hierarquiza e qualifica (ou desqualifica) o indivíduo desde o primeiro instante de sua escolarização; É nesse momento que o discente é preparado pela escola para ser inserido no mundo fora da realidade de suas verdades hereditárias: O ritual de passagem se completa em cada conteúdo assimilado e a cada prova e teste realizados pelo neófito.


Portanto, aprendemos que a melhor democracia é a ditadura ditada na escola, do momento em que ela, a escola, adestra seu corpo discente a obedecer aos estatutos, a apresentar sua carteira de identidade ou caderneta escolar quando ordenado, a votar, a servir e morrer pelo seu país; Tudo isso cantando o hino nacional ao qual ele nunca aprendeu a letra. Na escola ele aprende que a igualdade existe mesmo que seja uma ilustre desconhecida e que, nesse caso as diferenças são impróprias e que por isso é ilegal ser diferente (no sentido próprio da palavra) visto que a igualdade é pregada na constituição como algo justo, e que a justiça precisa respeitar as diferenças: inferimos então que somos todos... Cidadãos iguais com justiça diferente (indiferente)...

 Agora temos uma sociedade que elege como representante um coronel que promove homicídio em massa dentro de um presídio, sendo condenado a 600 anos de prisão e não chegando nem perto de uma cadeia, trocando centenas de mortos no Carandiru por uma vaga no congresso nacional. Temos nossos quilombos urbanos, como o da Pequena África no Centro da cidade e o de Sacopã, no Leblon, zona sul do Rio de janeiro, pertencendo à descendentes de imigrantes europeus enquanto os descendentes de quilombolas estão sendo confinados às comunidades carentes de tudo, servindo como figurantes sociais, protagonizando grotescas atrações nas telas das TVs como única forma possível de inserção social.

  São esses marginais produzidos e cultivados pela escola, adestrados para acreditarem nas efemérides: abolição, princesa Isabel e Duques de alguma coisa, que elegem e se alijam acreditando que nesse destino predestinado contínuo. Discentes cultivados para aceitarem verdades pasteurizadas veiculadas pela mídia, e com data de validade de acordo com as conveniências financeiras do mercado de valores de ética aidética. 


https://fbstatic-a.akamaihd.net/rsrc.php/v2/y4/r/-PAXP-deijE.gifNa escola brazilleira podemos constatar que cerca de 60% do corpo docente contratado por cada novo prefeito, mantém uma relação servil com esses profissionais. Essa relação nociva se reflete pedagogicamente de forma pernóstica na relação entre discentes e profissionais de educação, que se tornam todos presas e reféns da política mercantil observada nas instituições de ensino. Essa hierarquia colonial cria um  entre lugar onde se formata e se estrutura a personalidade desse discente, a despeito dos mecanismos de sobrevivência criados por ele como defesa , cultivando a matriz cultural inserido pela escola, que lhe transmite esse vírus que imobiliza através dos currículos, impedindo esse indivíduo de tornar-se sujeito.

Essa conjuntura é mantida pelo governo, atendendo a lei maior do mercado (o lucro desmedido) e justificado pelas instituições, que em tese deveriam zelar pelo bem estar de sua nação. Esse tem sido o papel da escola na construção e estruturação de uma nação servil, com discentes candidatos a sub-figurante de pseudo-vice cidadão: nossos discentes são marginas que gozam satisfeitos com liberdade provisória conferida pelas efemérides aprendidas na escola e oficializados pela mídianossa escola paralela que legitima o pensamento colonial, escravocrata e oligárquico como uma inocente verdade natural e única. Nossa linha de produção Taylorista é a antiga novidade da revolução digital do momento, seguindo por mero acaso a didática ditada pela revolução industrial e  a filosofia racista dos pensadores iluministas. Como o Rei Leopoldo da Bélgica, a família Rothschild que o diga, afinal é família que fica com mais da metade do dinheiro corrente no mundo e que governa os meninos da Cia, exército norte-americano e FBI; que de acordo com seus interesses recomendou e comandou a invasão aos países Africanos; aqueles que a mídia acusou e responsabilizou da promoção do levante batizado pelo norte-americanos de Primavera "Árabe" e tudo mais, que nada mais foi do que uma tentativa do General Kadhafi de reunir os países africanos com uma moeda única, assim como fizeram os europeus; seria um evento terrível para a família Rothschild. 
Por isso a escola é necessária tanto quanto é necessária a universidade, mantendo a conjuntura desse grande cemitério urbano, com um coveiro-mor que se arvora dono de cada lápide e de cada cadáver, fazendo de cada ser um zumbi, sem vontade própria, raízes ou referências. Cada velório se transforma num acontecimento repetitivo e único de todos os dias de cada vida. Assim, a chacina naturalizada das mentes e de vontades tornaram-se lugar comum no cotidiano nas tela das TVs; a cada nova estréia, programas e atrações para nossa distração, para assistirmos no conforto dos recônditos de nosso tumbeiro.





"Suportar toda aquela dor, literalmente queimar minha carne só para fazer com que meus cabelos ficassem parecendo com os de um branco. Eu me juntava à multidão de homens e mulheres negras que sofreram uma lavagem cerebral tão grande até acreditarem que os negros são inferiores – e os brancos superiores – e que devem até mesmo violar e mutilar os corpos que Deus criou para tentar parecer 'bonitos' pelos padrões dos brancos. Assim como para qualquer mulher negra, digo ao homem negro que se dessem ao cérebro em sua cabeça só a metade da atenção que dão aos seus cabelos, estariam mil vezes mais humanos." (MALCOLM X)