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quarta-feira, 13 de março de 2013

Disposições gerais acerca do latrocínio cognitivo contemporâneo



A causa-mortis do indivíduo na sociedade contemporânea é determinada pelo grau de sua carência cognitiva; carência consequente da antropofagia praticada pelos integrantes da classe do conhecimento, que promove e defende o capitalismo cognitivo.
A construção dessa conjuntura tétrica, tem suas bases fincadas principalmente no hepistemicídio melanodérmico; processo que se inicia com o sequestro e apropriação da produção cognitiva de sociedades ágrafas e de escritas, como as do Egito, Gana, Timbuctu e de povos autóctones, partindo do polêmico princípio de que os fins justificam os meios.
Portanto é natural que as universidades de pensamento eurocêntrico tendo como função primaz, licenciar e legitimar pensadores e doutores; tragam marcados em suas certificações, as manchas do sangue e do suor desses povos. Em contrapartida, essas mesmas nações sistematicamente roubadas e racistizadas, como forma de reconhecimento, recebem o rótulo de atrasados e selvagens que vivem em tribos e guetos.
A desqualificação contumaz a integrantes desses povos é lugar comum nas grandes metrópoles. O hepistemicídio melanodérmico e autóctone tornou-se uma prática inerente à permanência dessa conjuntura, onde o capitalismo cognitivo é o lugar em que gira a engrenagem da cultura que dosa, domestica e controla a autodeterminação do indivíduo.
Portanto, é onde se originam e são sustentadas as relações de poder; eliminando intelectualmente o indivíduo para manter-se a ordem no progresso capital. Usa-se do pretexto a beleza do cadáver como expediente para que o capitalismo não seja sepultado, substituindo-o assim, em seu esquife, pela ética e pelo bom-senso no velório final da sinapse humana.
Deste modo, as belas mentiras, camufladas de inocência, mantêm os mortos-vivos como atração principal na telinha da TV, alimentando cotidianamente os pseudoscidadão com generosas doses de carências cognitivas, através do vírus das falsas informações.
Assim, o homo eligens, aquele que escolhe, tem sua cabeça cortada no ritual de acefalia, realizado cotidianamente e com extrema maestria, pela mídia mandatária da elite financeira. São assassinatos naturais, com causa-mortis oficiais formatadas em gabinetes de políticos pelos empresários das elites financeiras de origem escravocrata, com as bênçãos da igreja fascista e o brinde final festejado com as taças da hipocrisia da classe média nacional; é assim que o show deve continuar... tá lá uma vontade estendida no chão... Lá se vai mais um cidadão boodstrap... Tem sua mente fiel que lhe mente satisfazendo suas vontades e fantasias; desviando assim seu olhar e evitando a desconcertante visão  do seu inferno público e seu demônio particular... Plim, plim...